Beyond: Two Souls – O que há… além? 1


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Olá, caros amigos Whosnerdianos? Como têm passado? Espero que bem. Eu sei, eu sei… Eu sei… Faz tempo que não escrevo nada por aqui. Espero que tenham sentido falta deste que vos escreve. Se não, tudo bem também. Afinal, como bem sabe nosso amigo Joseph Klimber, a vida é uma caixinha de surpresas… E estas se manifestam nas mais diversas ocasiões! Mas chega de papo, e vamos falar logo de Beyond: Two Souls, afinal isso não é uma sessão de terapia, p0$#*.

Beyond: Two Souls – Vai além das expectativas ou morreu na praia?

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Valorie Curry deu vida a andróide Kara

No início do ano passado um trabalho da produtora Quantic Dream veio a tona, tendo como justificativa apresentar uma nova engine: a tech-demo em tempo real chamada Kara. Mostrando evoluções gráficas perceptíveis em relação aos trabalhos anteriores da empresa, Kara nunca teve a intenção de ser um jogo. Apresentando uma história pequena, porém interessante, o vídeo cativou muitos olhares gerando certa empolgação. Mas isso era apenas uma premissa para algo muito maior (spoiler alert: Beyond: Two Souls).

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A mente por trás da obra: David Cage

E se você curtiu os trabalhos do sr. David Cage, criador de sucessos como Indigo Prophecy (ou Fahrenheit como é conhecido no velho mundo) e Heavy Rain, saiba que ele conseguiu se superar. Lançado em outubro de 2013, Beyond: Two Souls ultrapassa em todos os aspectos seus dois irmãos mais velhos. Segundo o próprio Cage, o universo temático que o jogo trata é algo que ele gostaria de explorar, principalmente depois de um acontecimento triste em sua vida: a perda de pessoas queridas. Tido como sequência espiritual dos jogos anteriores, Beyond: Two Souls consegue melhorar a jogabilidade e traz uma história muito mais envolvente e contada de maneira bem interessante.

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Jodie está ligada a Aiden desde o dia em que nasceu.

O jogador encarna o papel de Jodie Holmes, uma jovem que gostaria de ser uma garota como qualquer outra. Jodie tem uma característica incomum: um elo inquebrável com um “espírito” de personalidade própria chamado Aiden (daí o título de Beyond: Two Souls). Ligados por uma espécie de fio etéreo, está sempre junto a Jodie e, diferente de um espírito comum, ele não pode vagar muito longe da garota. Sempre protegendo-a, Aiden mantém por ela uma mistura de sentimentos, não gosta muito quando estranhos se aproximam da garota, principalmente se tentam maltratá-la. Há uma relação constante de amor e ódio entre ambos. Afim de explorar o que acontece com a garota, o Dr. Nathan Dawkins entra em cena, junto a seu assistente, Cole Freeman. Entretanto, nada na vida de Jodie acontece por acaso.

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Jodie está longe de ser uma mocinha indefesa.

A história não se desenrola de maneira linear. A trama vai e vem no tempo durante 20 anos na vida de Jodie Holmes. Existem capítulos em que a personagem tem 8 anos. Outros com 20 anos. Em cada uma dessas fases na vida de Jodie, a jogabilidade tem variações. Há trechos onde esta é bem mais simplificada, com ações simples, como decidir que roupa vestir para um encontro, ou mais elaboradas com sequências de lutas e furtividade. Como o foco principal de Beyond: Two Souls é sua história, as decisões que você toma durante a aventura afetarão direta e indiretamente os capítulos posteriores.

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Jodie vive durante muitos anos em um laboratório, sob os cuidados de Nathan, Cole e da CIA.

Apesar de ter sido algo duramente criticado por vários canais especializados, a jogabilidade de Beyond: Two Souls me pareceu muito fluida para a proposta de jogo. Não se trata de um jogo de ação ou de tiro, onde a movimentação do personagem pode fazer toda a diferença no jogo. Aqui ela está na medida. E o jogo tentou algo muito interessante: a utilização de aplicativos em telefones inteligentes. Disponível para iOS e Android, BEYOND Touch permite o uso de smartphones para serem usados como controle para a jogatina, bastando para isso que seu PS3 e seu smartphone estejam na mesma rede Wi-Fi. Não é exatamente uma novidade, mas em consoles não vemos muitas iniciativas deste tipo.

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Jodie demonstrando suas habilidades para Nathan.

Quanto a outros aspectos técnicos, Beyond: Two Souls impressiona. Um dos pilares do sucesso do jogo é o seu elenco. Aqui, não apenas o talento evidente dos atores faz a diferença, mas também o belíssimo trabalho de transformar pixels e avatares dos próprios atores em cópias fiéis de seus interpretes. Ellen Page transformou Jodie Holmes numa personagem única. Willem Dafoe não deixou por menos e interpretou Dr. Dawkins de maneira brilhante. Podemos ver claramente o empenho da equipe em mostrar os traços de Dafoe em diferentes fases da vida de Dawkins, em algumas mais jovial e em outras mais envelhecido. Outros nomes conhecidos na indústria Hollywoodiana também marcam presença aqui, mas estes são sem dúvida os pilares desta história.

A trilha sonora, produzida por Hans Zimmer e Lorne Balfe, compositor de Assassin’s Creed III também ajuda e muito na imersão do enredo. E um destaque para a música Lost Cause, do cantor Beck Hansen, gravada em 2002 e interpretada em versão acústica pela própria Ellen Page, que não virou a última maravilha das artes, mas foi feita com tamanha delicadeza que se encaixou como uma luva na história de Beyond: Two Souls.

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O jogo foi totalmente, e competentemente, localizado para o Brasil.

Outro ponto muito positivo de Beyond: Two Souls é que ele foi totalmente localizado para o nosso Brasil varonil. Se você puder conferir o trabalho dos dubladores nacionais, fique tranquilo: eles não vão te decepcionar. Sabemos que esse novo vetor de jogos localizados ainda passa por melhorias e talvez alguns trabalhos anteriores não tenham agradado muito, como o de alguns outros jogos que conseguiram realizar tal feito. Os dubladores do jogo são os mesmos dubladores dos atores em suas películas estrangeiras. Você pode conferir este trabalho baixando a demo do jogo que está disponível na PSN (válido tanto para contas americanas e brasileiras).

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Jodie nunca para em um só lugar.

Falar mais de Beyond: Two Souls sem falar de sua história é algo impraticável e não quero dar spoilers aqui, caros leitores. Mas parando para analisar de maneira mais filosófica, o que pude perceber da trama é que ela trata de conflitos. Enquanto no jogo, Jodie está sempre em conflito com Aiden numa relação muito delicada, ao jogador fica a sensação de que Jodie e Aiden são a mesma pessoa e que os conflitos entre ambos são apenas de um só. Uma luta entre você e você mesmo. Todos nós temos nossos conflitos. Decisões que precisamos tomar e que nem sempre parecem as mais acertadas ou efetivas, mas necessárias para o segmento natural da vida, como a cena do encontro de Jodie e sua mãe (chega de spoiler).

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Parte do elenco e da equipe.

Enfim, Beyond: Two Souls é um dos títulos obrigatórios para quem jogou e gostou das obras anteriores do Sr. Cage. Lembre-se este jogo é fortemente ligado a sua história, sendo este o pilar sustentador de todo o resto desta obra de arte. No mais, obrigado sr. Cage. Muito obrigado!

[Nota do Sr. Whosnerd]: Seja bem vindo de volta, caro Valder, apareça mais vezes, de preferência sempre. 😀


Sobre Valder Bomfim

Apaixonado por games desde os 5 anos de idade quando dei meu 1º soco em "Alex Kidd in the Miracle World" e sonhando que um dia conflitos armados possam ser feitos exclusivamente por ambientes virtuais ultra-realistas. Ando me desdobrando em 3 para seguir meus objetivos, que é atuar no setor de jogos nacional de alguma forma, se possível produzindo meus próprios projetos.

  • Victor L A Botelho

    Review bem legal, deu vontade de jogar.