R.I.P. Sétima geração dos consoles. The Good, the Bad and the Ugly


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igor_queiroz_7_geracao_consoles_the_good_the_bad_and_the_ugly.2013.11.19

Com o lançamento do cobiçado PS4(K) nessa última semana, uma onda de saudosismo vem assolando os blogs e sites especializados. Quem acompanha a indústria de jogos e videogames há anos, sabe que esse momento de transição entre uma geração e outra vem sempre acompanhado de muita especulação, apostas e esperança por parte dos gamers. Aproveitando esse momentum, decidi também falar um pouco sobre as conquistas, as falhas e os fracassos dessa geração que chegou ao seu momento final. Para boa parte dos tópicos desse texto, tirei proveito desse texto lá do Meio Bit Games feito pelo amigo Dori Prata.

The Good

igor_queiroz_gta_v_pt_br.2013.11.20

  • Distribuição Digital: Com a popularização da internet banda larga de alta velocidade através do mundo, a possibilidade de adquirir seus títulos com a praticidade de um mero clique para download tornou o ato de adquirir jogos algo muito mais acessível do que jamais fora. Isso somado aos preços camaradas muitas vezes praticados pelas promoções da Xbox Live ou PSN (principalmente com a PS Plus) e a fuga aos impostos de importação brasileiros estupradores, resulta em uma bela conquista para nós.
  • Troféus/Conquistas/Achievements: Por falar em conquistas, essas mesmas foram inseridas com maestria nessa sétima geração de consoles. O prazer de fazer um feito extraordinário em um determinado jogo e ser recompensado com um troféu maroto, é sem dúvidas recompensador. Claro que nem tudo são flores, e muitas vezes nos vemos recebendo troféus por fazer coisas banais em um jogo, como por exemplo avançar no enredo. Se estou jogando um JRPG e recebo um troféu por visitar uma nova cidade, me desculpem os platinadores de plantão, mas você não merece um troféu, você merece um psicólogo.
  •  A ascensão dos jogos independentes: Houve um momento na história dos videogames que não havia essa distinção de quem era Indie e quem não era, porque basicamente toda empresa desenvolvedora de jogos era composta de alguns poucos geeks enfurnados em suas garagens na esperança de fazer algo minimamente decente. O tempo foi passando, a indústria crescendo, e depois de muito dinheiro investido e uma crise superada, o processo de desenvolvimento de jogos já não era nada parecido com o de outrora, e as equipes responsáveis por um jogo AAA ultrapassavam facilmente uma centena de funcionários. Essas empresas dessa indústria consolidada haviam então criado algumas fórmulas para obter com maior chance o retorno do seu investimento (A Ubisoft e seus Assassin’s Creeds que o diga), e o resultado disso foi uma penca de jogos e suas sequências, e pouquíssimas inovações. Isso até os desenvolvedores independentes surgirem com verdadeiras obras primas como Braid, FEZ, Super Meat Boy, LIMBO e, de certa forma, até mesmo o aclamado Journey, que apesar de ter recebido um investimento da Sony, é considerado um jogo independente.
  • Jogos localizados em português do Brasil: Devo dizer que muito do que eu sei da língua inglesa, eu aprendi com os jogos eletrônicos. Não deixo de considerar também a minha vontade de aprender, já que conheço muita gente que, assim como eu, jogava por horas a fio mas nunca tiveram interesse em aprender inglês de fato. Seja como for, por mais que os jogos tenham incentivado a minha curiosidade para aprender inglês, não posso deixar de parabenizar as empresas que tiveram toda a atenção com os gamers brasileiros ao localizarem não só as legendas dos jogos, como também as dublagens de alguns jogos.
  • Muito além de um simples console: Essa qualidade talvez se caracterize como um paradoxo, pois ela traz não só prós, mas também contras. Falando apenas sobre o lado bom de se ter um console com outras funcionalidades que não as de um simples videogame, as vantagens de se ter aplicativos instalados, transformar seu videogame em uma estação multimídia, assistir seus Blu-Rays no conforto do seu sofá, sem que para isso você precise comprar um aparelho com apenas essa finalidade, dentre tantas outras, certamente facilitaram a vida de muita gente.
  • O lado bom do multiplayer: Sabe aquele seu amigo que você adorava disputar inúmeras partidas de jogos de luta, futebol, ou simplesmente jogar um beat’em up em modo cooperativo? Suponhamos que esse seu amigo se mudou para os confins do Himalaia. Antigamente isso seria o suficiente para que vocês dois jamais tivessem a possibilidade de jogar juntos novamente. Hoje, mais uma vez graças a popularização da banda larga, é extremamente possível jogar com esse seu mesmo amigo em quase qualquer lugar do mundo, desde que vocês dois estejam conectados à internet.

The Bad

igor_queiroz_sega_activator.2013.11.20

  • Controles de movimento: Calma lá, tio Igor. Como assim os controles de movimento são pontos negativos? Vejam bem, pequenos mancebos, não é que a ideia em si de se ter controles de movimento seja algo negativo, o problema foi o demasiado número de jogos que fizeram um péssimo uso da tecnologia. Essa ideia de controlar jogos eletrônicos através de movimentos parece ser nova, mas a Sega já havia tentado vender essa solução anos atrás, com o patético Sega Activator. Hoje, vinte anos após o lançamento desse periférico risível, parece que a indústria de jogos ainda não sabe muito bem o que fazer com essa tecnologia em mãos.
  • Updates, updates e mais updates…: Lembra quando falei que o fato dos consoles da sétima geração serem muito além de um mero console era uma qualidade paradoxal? Pois é, isso se deve ao fato de que se por um lado temos um aglomerado de funcionalidades em um único aparelho, temos também algumas desvantagens decorrentes dessa multi funcionalidade, como por exemplo as constantes (e irritantes) atualizações de softwares e firmwares. Se você, assim como eu, costuma assistir Netflix através do seu PS3, você com certeza já se deparou com o triste momento em que tudo o que você menos queria era fazer uma atualização para poder assistir a sua série preferida. Inserir um jogo novo e não se deparar com meia dúzia de atualizações é quase tão raro quanto capturar o Mewtwo (eu ainda sou da época dos 150 Pokémons, ok?).
  • O lado ruim do multiplayer: Aqui vai uma crítica a atual prática da indústria de inserir modo multiplayer até em jogo de Free Cell. PAREM! Não é porque um modo multiplayer dá uma sobrevida ao seu jogo que você precisa dedicar obrigatoriamente esforços para criar um modo online. Conheço vários casos onde um jogo possui um modo online apenas para preencher uma pseudo lacuna, onde na verdade poderia ter tido todo o seu desenvolvimento dedicado ao modo single player e entregado um produto genuinamente completo.

The Ugly

igor_queiroz_pay_to_win.2013.11.20

  • Modelo Freemium: Não critico exatamente o modelo Freemium em si, mas sim ao mal afamado modelo de PTW (pay to win). Não sou nenhuma reencarnação de Karl Marx e tampouco ingênuo para sair praguejando para os sete infernos que essas empresas são mercenárias (e elas são mesmo) e que elas só fazem jogos pelo dinheiro. Não. Assim como qualquer empresa, o objetivo é sempre obter retorno de investimento, o problema reside nessas máquinas de caça níquel disfarçadas de jogo casual. E eu falo do aspecto de quem pretende ser pai um dia (próximo, se possível), pois apesar de eu ser imune a esse modelo mercadológico, o mesmo não acontece com a molecada, que se não forem bem educadas e acompanhadas, podem acabar com a saúde financeira de uma família estourando o limite do cartão de crédito dos pobres pais assalariados.
  • Prostituição dos jogos casuais: Eis um lado preconceituoso meu: FarmVille não é jogo eletrônico para mim. Ponto. Eu mesmo já me peguei me divertindo por algumas horas com jogos como Jetpack Joyride, Temple Run e etc, mas confesso que a enxurrada de jogos casuais acabou tornando a indústria de jogos eletrônicos um pouco menos graciosa, e olha que no caso dos consoles esse número é até contido se compararmos com os “esperto fones“, portáteis em geral e os famigerados “jogos em flash” para navegador.
  • Comercialização acima de tudo e de todos: Seja no modelo Freemium, Free-to-Play, convencional, ou outro qualquer, a verdade é que o crescimento exponencial da indústria causou um efeito colateral chamado lixo descartável. Toda semana um infindável número de jogos estão sendo lançados, mas quantos desses são realmente de qualidade? E estou falando aqui desde o jogo desenvolvido de forma independente até mesmo aquele feito por uma equipe monumental. Do meu ponto de vista há duas formas de se fazer jogos: Aquela que visa unicamente o lucro e aquela que se preocupa em criar uma experiência prazerosa de entretenimento e que o sucesso econômico é apenas uma consequência. Para a minha tristeza, essas duas formas são eficazes, sendo que muitas vezes a primeira ainda se sobressai.