Sabe o lucro Brasil? Então, agora ele é de conhecimento internacional


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igor_queiroz_custo_brasil_the_verge.2013.07.31

Ontem, dia 30 de Julho, o site The Verge fez uma matéria escancarando para o resto do mundo a nossa triste realidade econômica brasileira. O assunto em questão era Os Smartphones mais caros do mundo, mas ao longo do artigo deles (e principalmente nos comentários), é possível perceber que isso se estende para praticamente todo tipo de produto comercializado aqui na República das(os) Bananas.

Segundo o mesmo artigo, os altos preços dos smartphones comercializados no Brasil estão fazendo com que o mercado negro esteja bombando. Ora bolas, se um Samsung Galaxy S4 lá nos EUA custa algo em torno de R$ 1370 reais, porque diabos o mesmo smartphone aqui no Brasil recebe o preço imoral de R$ 2400? O Brasil possui uma política de protecionismo cruel em relação às importações, onde sobretaxa em até 60% os produtos eletrônicos. Fora isso, ainda há o ICMS (imposto sobre consumo), que tem uma variação de 16% à 18%, podendo chegar até os nada amigáveis 25%. Mas será que os impostos por si só são os únicos motivos para o preço risível praticados aqui no Brasil?

Há também um fator de infraestrutura a ser considerado, já que o Brasil sofre da mesma no quesito transporte. Países verdadeiramente desenvolvidos utilizam predominantemente linhas férreas para a distribuição de produtos, já aqui no Brasil, o que mais se usa são as vias aéreas e as terrestres, o que encarece consideravelmente o preço dos produtos. Se levarmos em consideração a “Lei do Bem“, que reduziu a zero a alíquota do PIS/Confins para smartphones abaixo de R$ 1500 e produzidos aqui na República Federativa do Brasil, poderíamos achar que essa medida iria trazer vários smartphones middle-end para preços bem mais atrativos. Porém, contudo e todavia, sabemos que aqui no Brasil nem tudo são flores (na maior parte das vezes são cravos mesmo), o que se viu foi uma grande oportunidade para os comerciantes lucrarem mais com essa medida do governo.

Os preços em uma boa parte até caíram, mas de uma forma tão sutil, que é necessário ter um bom conhecimento do preço do mercado praticado antes e depois da Lei. Convenhamos, redução de R$ 50 à R$ 100 reais em um smartphone não era exatamente o que o consumidor esperava, não é mesmo? Se você está acompanhando a ideia até aqui, já deve ter percebido uma incoerência nos preços ofertados em relação aos impostos cobrados. Ora, se mesmo com redução de carga tributária os preços dos smartphones de média configuração sofreram uma variação inexpressiva, o que está errado?

Bem, meu caro nerd, resposta mais óbvia seria impossível de ser dada: O que está errado é o consumidor brasileiro. Não que eu esteja protegendo o governo e o seu grande título de maior carga tributária do mundo, tampouco estou defendendo o direito do comerciante de vender sardinha por preço de caviar, mas se o consumidor aceita tal barbárie, por que o comerciante deveria baixar o preço? Não precisa ser um gênio da contabilidade para saber que quanto maior a procura maior é o preço cobrado, e em se tratando do consumidor médio brasileiro, parece que enquanto o valor do produto couber em seu limite de crédito a compra é certa, no doubt about it.

Ainda no artigo do The Verge, é citado um antropólogo chamado José Carlos Aguiar que acertou em cheio a causa dos preços continuarem estagnados nesses números surreais:

 “Há uma classe média emergente no Brasil e em toda a América do Sul. Eles não são ricos, mas não tão pobres quanto os seus pais foram, então de repente você tem milhões de pessoas que querem comprar produtos – os iPhones e produtos high-end que eles veem com pessoas ricas e na TV.”

Portanto caro leitor, se por algum motivo você se enquadra nesse tipo de consumidor, com o perdão da palavra eu lhe peço: Evite a tendência a ser asno, procure levar o meme shut up and take my money! menos a sério e faça compras mais conscientes e menos impulsivas. Essa, com toda certeza, é a maneira mais eficiente de protestar contra os preços abusivos sem se tornar incoerente. No mais, como bem disse o empresário gaúcho Henri Chazan, presidente do Instituto da Liberdade: “Como sou pobre, só compro nos Estados Unidos“.

[via The Verge]