Análise: Homem de Aço (Man of Steel)


5 Flares Facebook 1 Twitter 3 Google+ 1 Pin It Share 0 Email -- 5 Flares ×

david_arrais_homem_de_aco_01.2013.07.29

Opa, finalmente chegou o dia! O Homem de Aço chegou aos cinemas de todo o Brasil! Que tal ver o que esperar da nova aventura do último filho de Krypton?

Homem de Aço: Aprender a usar a cueca do lado certo foi positivo ou não?

Em 1978 o mundo foi tomado de assalto com a primeira adaptação de quadrinhos de grande porte, quando Richard Donner levou para as telas do mundo As Aventuras do Superman, o homem de aço. Com um elenco pesado, com Gene Hackman e Marlon Brando, a obra tornou-se um clássico instantâneo, ainda reforçado com um dos melhores temas já produzidos por John Williams em sua carreira de inúmeros sucessos.

No entanto, o maior de todos os acertos foi a escolha do ator que interpretaria o herói. Christopher Reeve se mostrou uma escolha absolutamente perfeita, pois além dos requisitos físicos para o papel, seu talento justificava a diferença existente entre Clark Kent e Superman. E os revolucionários efeitos visuais realmente fizeram o público acreditar, como os cartazes anunciavam, que um homem poderia voar.

Hoje, 35 anos depois, Zack Snyder recebeu uma incumbência ainda mais complexa, de reiniciar a carreira do filho de Jor-El nos cinemas em tempos de Vingadores, Cavaleiro das Trevas e X-Men. E sim, ele conseguiu recolocar o filho de Krypton no topo com louvor.

Depois de um longo prólogo, em que podemos conhecer um pouco da fauna, a geografia e mais importante para o longa, a tecnologia, de Krypton, vemos que o planeta está em guerra por conta de sua iminente destruição e que Jor-El (Russel Crowe), um de seus mais importantes cientistas, está disposto a, numa medida desesperada, enviar seu único filho em uma viagem cósmica a uma das colônias kryptonianas pelo espaço para salvá-lo e tentar dar continuidade à espécie. Paralelamente, o General Zod (Michael Shannon) tenta liderar um golpe contra o conselho que rege o planeta e por conta disso é enviado a Zona Fantasma, junto de seus asseclas, jurando vingança contra seu algoz.

david_arrais_homem_de_aco_02.2013.07.29

Depois disso, acompanhamos Clark já adulto, procurando explicações de sua origem, em meio a vários flashbacks que mostram sua relação com colegas de escola e principalmente com seus pais, Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane), através de diálogos comoventes.

No meio dessa busca, ele acaba conhecendo a curiosa jornalista Lois Lane (Amy Adams) que desastrosamente, divulga parte da sua história através de um blog sensacionalista, depois que o editor do Planeta Diário, Perry White (Laurence Fishburne), se recusa a publicá-la. Com a chegada de Zod à Terra, ela acaba se tornando alvo do general kryptoniano.

O roteiro tem alguns diálogos inspirados, como uma leve metalinguagem, quando no início do filme alguém pergunta a Clark “Onde eles arrumaram você”, ou outros pontos muito bem desenvolvidos, como o momento da descoberta dos poderes ou a emocionante cena do furacão, capaz de levar o público às lágrimas. Ele também é hábil em expor os conflitos internos que o protagonista enfrenta, como o fato de ser um alienígena adotado, e ainda o último de sua espécie, além de saber explorar o modo como os humanos reagem àquele alienígena superpoderoso.

As referências à figura divino-messiânica do herói estão sempre em evidência, em frases como “Você dará aos homens um ideal”, “Eles não lhe entenderão no começo”, “Ele nos salvou”, ele é “descoberto” aos 33 anos… E essas referências atingem o ápice em uma cena de confissão, quando ele é visto à direita de Jesus Cristo em um vitral na parede de uma igreja.

david_arrais_homem_de_aco_03.2013.07.29

A atuação de Henry Cavill é bastante convincente, tornando ainda mais esquecível o trabalho de Brandon Routh. Amy Adams é uma Lois Lane mais ativa, independente e cativante. Laurence Fishburne, apesar de sua participação bastante reduzida, é competente como de costume. Russel Crowe está perfeito como Jor-El, dando ao mesmo tempo imponência física e austeridade ao cientista. Diane Lane tem uma atuação correta, assim como Ayelet Zurer, que interpreta Lara, a mãe biológica de Kal-El.

Os grandes destaques em atuação são Michael Shannon e Kevin Costner. Shannon evita os “overactings” constantes de Terrence Stamp, com uma figura intimidante e de voz firme. A sua dedicação é convincente a ponto de crermos que ele não é apenas alguém em busca de poder pelo poder e sim à sua causa. Já Kevin Costner consegue entregar um Jonathan Kent sempre preocupado com a segurança do filho, em como as pessoas reagirão à sua verdadeira natureza, além de tentar sempre ser uma bússola de moral e ética para o filho.

O figurino e direção de arte estão fantásticos. O fardamento militar de Krypton, assim como as ferramentas e armas do grupo de Zod chamam a atenção. O design externo e interno das naves também é digno de aplausos. A preocupação com detalhes é tanta que é possível, por exemplo, ver que a barra da capa vermelha está imunda depois dele caminhar pelas areias do deserto.

A fotografia que fica um pouco atrás, apostando em cores frias e dessaturadas em grande parte do filme, tentando criar uma atmosfera realista demais para uma obra desse gênero.

Os efeitos visuais e sonoros estão incríveis! Sejam as criaturas digitais, assim como as explosões, desabamentos de arranha-céus e a execução do plano de Zod, tudo é feito com extremo realismo.

Hans Zimmer consegue criar uma trilha sonora extremamente eficiente e tocante, mas, obviamente, não tão marcante quanto à obra-prima de John Williams (cujo tema, por incrível que pareça, não caberia aqui pelo modo como a história é contada).

david_arrais_homem_de_aco_04.2013.07.29

O efeito 3D (convertido, diga-se), apesar de eficiente em alguns momentos, é descartável, servindo muito mais como desculpa para inflacionar as bilheterias do que como algo que realmente acrescenta à narrativa.

Zack Snyder mostra que está amadurecendo como diretor, depois das adaptações de 300 e Watchmen. Seu trabalho é eficiente, criando cenas de combate de tirar o fôlego, especialmente o grande momento do terceiro ato. Algumas de suas marcas estão lá (exceto a câmera lenta), ainda abusando dos flares, como seu colega J. J. Abrams. E ele consegue criar uma cena que remete ao ataque terrorista de 11/09 realmente assustadora.

Outro ponto elogiável de seu trabalho é a sua coragem em realmente recriar a origem do homem de aço, fazendo citações aos dois primeiros filmes, como numa hilária cena envolvendo um caminhoneiro, ou nas primeiras cenas de vôo, mas sem parecer reverencial ao extremo.

Depois de tudo isso, só é possível dizer uma coisa: MUITO OBRIGADO ZACK SNYDER!

Nota: 9.0/10

Sugestões: Se você gostou desse filme, assista Watchmen, Superman – O filme (1978) e Os Vingadores.