Análise: Star Trek – Além da Escuridão


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Então Nerds… Querem saber se o novo Star Trek vale a pena? Não. Ele está muito acima disso!  Agora, se querem saber porque… É só ler aí embaixo.

Uma jornada nas estrelas além da escuridão ou rumo a um buraco negro? (Star Trek Into Darkness)

No ano de 2009, o jovem diretor J.J. Abrams foi incumbido da responsabilidade de trazer para uma nova geração um dos maiores ícones da ficção científica de todos os tempos: STAR TREK. Apesar da pouca experiência (sua única produção para o cinema havia sido Missão: Impossível 3, visto por muitos como o melhor da série) ele conseguiu um resultado espetacular, com um filme que conseguiu trazer novos elementos para aquele universo, ao mesmo tempo em que respeitava e homenageava diversos elementos clássicos.

Agora, quatro anos depois, e sendo hoje o Nerd mais poderoso do Universo (ele irá dirigir nada menos que o Episódio VII de Star Wars!) ele nos brinda com mais um acerto brilhante em Além da Escuridão – Star Trekrepetindo a parceria com Alex Kurtzman e Roberto Occi, com a adesão de Damon Lindelof no roteiro.

Desde o início o ritmo de ação é frenético, mostrando as ações do grupo liderado por Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) em um planeta pouco civilizado, na tentativa de impedir uma erupção que poderá destruir tal planeta. Essa sequência tem grande utilidade para reavivar na memória do espectador as características e a dinâmica entre todos os personagens principais.

Depois de ataques terroristas a bases da Federação em Londres e em San Francisco, Kirk é enviado ao planeta Kronos (lar dos klingons) para eliminar a ameaça, porém devido a uma série de escolhas equivocadas, a tripulação da Enterprise acaba sendo transformada em refém. É curioso como esse fato tem eco nas ações belicistas dos Estados Unidos, que elegem seus inimigos antes mesmo de apurações mais profundas.

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Infelizmente, a partir daí o roteiro toma caminhos que não posso comentar para evitar spoilers. Só posso dizer que todas as decisões foram acertadas. O excesso de lógica de Spock é bem explorado assim como a sua relação com Uhura (Zoe Saldana), ainda contando com diálogos espirituosos, na maioria proferidos por Kirk ou McCoy (Karl Urban), além de construir bem a motivação de todos, vilões e heróis.

As atuações são todas excelentes, deixando apenas Alice Eve, que interpreta Carol, um pouco abaixo dos demais. A participação de Peter Weller (o eterno Robocop) é marcante, e muito bem construída.

Todos os membro da Enterprise estão incrivelmente a vontade em seus papéis, com Zachary Quinto dando um show a parte como o meio humano de orelhas pontudas. É visível a sua dificuldade de entender algumas atitudes e sentimentos humanos.

Bruce Greenwood retorna como o almirante Pike com a mesma competência. Simon Pegg exibe seu costumeiro talento e perfeito timing cômico, enquanto John Cho se mantém sempre austero como o Tenente Sulu.

Benedict Cumberbatch nos entrega um vilão intimidador e ao mesmo tempo incrivelmente carismático. A sua impostação de voz, e o modo como profere cada palavra mostram sua inteligência e preparo para lidar com cada situação.

A direção de arte dá um show a parte, seja na construção da Floresta Vermelha em contraste com o mar em que eles se encontram no início do filme, nas construções futuristas das cidades, explorando o uso de aço e vidro na arquitetura, ou no interior asséptico das instalações da Frota Estelar ou na ponte de comando da Enterprise, sempre abusando do branco.

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A Fotografia é bem executada, explorando bem todos os ambientes do filme, como nos momentos em que alternam o interior claro e iluminado da Enterprise com o ambiente sombrio da Vengeance.

Os efeitos visuais estão absolutamente perfeitos, sempre servindo de base para o enredo, nunca se sobrepondo ao que está sendo contado. O uso do 3D (convertido) nas dobras espaciais ou algumas cenas de ação (como quando a nave começa a girar) é eficiente, porém em vários momentos se mostra desnecessário. A trilha sonora é mais um acerto de Michael Giacchino, criando um novo tema, com pequenas citações do tema original.

A direção de J.J. Abrams merece todos os elogios. Sempre mantendo o ritmo, ele consegue construir boas cenas dramáticas, como o ataque a base da Frota Estelar e momentos tensos que deixam o espectador grudado na poltrona, como o salto no espaço ou a queda de uma nave Em San Francisco.

As cenas de ação mantém o nível de qualidade, especialmente aquelas de combate corpo a corpo, como uma envolvendo Spock, ou um ataque surpresa no planeta Klingon. E como não poderia deixar de ser, estão presentes seus tão adorados flares por todo o filme.

Mais uma vez, J.J. Abrams realiza uma grande obra, respeitando o material original e fazendo pequenas mudanças que, ainda que relevantes, têm tudo para agradar ao público, tanto aos mais tradicionais como a nova geração. Vida longa e próspera!