Análise: Homem de Ferro 3


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david_arrais_homem_de_ferro_3.2013.06.06

Fala nerdalhada. Estamos de volta, dessa vez para falarmos de um dos filmes mais esperados de 2013: Homem de Ferro 3!  Eu gostei muito. Querem saber porque? Dá uma olhadinha aí embaixo.

Homem de Ferro 3: Revolucionário ou Comodista?

No ano de 2008, Homem de Ferro marcou a estreia da Marvel Studios no cinema, com a ousada intenção de explorar personagens menos conhecidos do grande público, a fim de chegar à apoteótica produção de Os Vingadores, encerrando o primeiro grande ciclo de sucesso do estúdio. Agora, seis filmes e alguns bilhões de dólares depois, Homem de Ferro 3 chega aos cinemas para iniciar o novo ciclo dos maiores heróis da terra. Agora com Shane Black assumindo a direção, baseado em roteiro escrito por ele mesmo e Drew Pearce, logicamente a partir dos quadrinhos criados por Stan Lee e Jack Kirby.

Depois dos eventos vistos em Os Vingadores, Tony Stark (Robert Downey Jr) continua constantemente trabalhando em novos protótipos de seu traje metálico, enquanto lida com repetidos ataques de ansiedade. Enquanto isso, Pepper Pots, (Gwyneth Paltrow) que segue como CEO das indústrias Stark, acaba de rejeitar uma proposta comercial de um antigo desafeto de Tony, o carismático Aldrich Killian (Guy Pearce). Paralelamente a isso, os EUA vêm sendo alvo de um misterioso terrorista, o Mandarim (Ben Kingsley), mesmo com a adaptação feita ao uniforme do Cel. James Rhodes (Don Cheadle) que o transformou no imponente Patriota de Ferro.

Depois que um atentado acaba por quase matar um ente querido de Tony, ele declara uma guerra pessoal ao terrorista. Diante disso, ele torna-se alvo de um feroz ataque, com direito a helicópteros fortemente armados (nada de spoilers, isso tudo foi visto nos trailers).

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A partir daqui o filme toma uma direção diferente dos episódios anteriores, exibindo inclusive  mais violência). Apesar de manter vários dos elementos marcantes dos primeiros episódios, como o desfile de armaduras, as excentricidades de Stark e a incapacidade de Pepper Pots de despertar interesse, o roteiro felizmente foge um pouco da necessidade de transformar o protagonista em alívio cômico (senti que houve uma separação entre a persona Robert Downey Jr e Tony Stark), mas ainda mantendo o seu humor ácido e presença de espírito peculiar, como na maioria dos diálogos travados com o pequeno Harley (Ty Simpkins), que acaba se tornando seu auxiliar na investigação dos atentados terroristas, ou com o olhar de reprovação de uma das armaduras para Pepper.

No campo das atuações, todas são dignas de elogios. Robert Downey Jr. mostra-se confortável como sempre, dominando completamente cada nuance de seu personagem. E aqui ele pode explorar mais outras facetas de Tony Stark, indo além do galã playboy, utilizando-se como nunca de atributos físicos e combates corporais. Rebecca Hall surge como uma cientista relevante para à trama, de forma convincente, assim como a surpreendente e sensacional participação de Ben Kingsley como o Mandarim, acertando em cheio no tom frio e ameaçador. A cena em que ele executa um membro do governo americano chega a ser assustadora.

Porém, o personagem que mais chama atenção é Killian, em uma atuação excelente de Guy Pearce, que consegue fugir do padrão “vilão de quadrinhos”, entregando uma performance marcante e profunda.

O roteiro ainda conta com uma reviravolta surpreendente e até certo ponto ousada, fazendo uma crítica e quase um alerta à cultura do medo exacerbada pelo governo americano desde os atentados de 11 de setembro e a relação imoral existente entre este e a indústria armamentista. Infelizmente, também dá suas derrapadas, como na citada cena do ataque à mansão de Tony, em que a falta de ação do exército quebra um pouco da credibilidade da história. E existe ainda uma rápida metalinguagem, quando alguém pergunta a Stark sobre os Vingadores e ele responde: “não vamos falar nisso agora”.

Tecnicamente o filme está impecável, com os movimentos digitais do herói, especialmente caminhando muito bem executados. Os simuladores de Tony, como aquele usado na investigação de um dos atentados é espetacular. E os efeitos que mostram a origem do poder dos inimigos estão sensacionais.

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As cenas de ação são muito bem construídas, como o resgate ao Força Aérea Um (de tirar o fôlego, tão espetacular quanto a sequência vista em Superman: O Retorno), a invasão da mansão de Killian e a espetacular sequência no porto de cargas de Miami, apesar de não falhar levemente ao dificultar a visualização de tudo que aparece na tela naquele momento, por ser muito escuro e com cortes frenéticos.

O uso da projeção 3D se mostrou completamente desnecessário, já que em poucos momentos (exceto quando objetos são jogados em nossa direção, e até isso ocorre poucas vezes) percebemos profundidade de campo, ou imersão nos ambientes por onde somos levados.

Mesmo com um pequeno anticlímax (mas bem de leve) no terceiro ato, repetindo alguns momentos ao longo da projeção, Homem de Ferro 3 consegue iniciar com louvor o novo arco de sucesso da Marvel Studios com maestria, superando, por muito, o segundo episódio da franquia.

Nota do Editor: 8.5/10

Sugestões: Caso tenha gostado desse, reassista a todos os filmes do primeiro arco dos Vingadores.

P.S.: Há uma excelente cena pós-créditos. E a rápida aparição de Stan Lee, mais uma vez é hilária.

P.S do Chefe: Nos desculpem pela falta de posts nos últimos tempos, estamos passando por um pequeno problema técnico e iremos retornar com força total no mais tardar.