Há um tanto de arte no jogo independente Homeless


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igor_homeless.27.12Na indústria dos jogos, sempre criticamos valores quantitativos como qualidade gráfica, sonora, enredo, jogabilidade e assim por diante, mas muitas vezes as críticas são superficiais, pois boa parte dos jogos tem uma abordagem superficial quando o quesito é envolvimento emocional.

Semana passada vi no VentureBeat um post muito interessante a respeito de um jogo independente chamado Homeless, e achei válido fazer uma comparação entre a atual indústria de jogos AAA, que carecem de obras como essa, e a indústria independente, tão em voga ultimamente.

Em tempos onde só o que se vê nas prateleiras das lojas são jogos FPS sobre a segunda guerra, jogos de futebol com quase zero de inovações,  jogos sandbox genéricos e afins, a indústria independente parece ser a única que tenta nos levar a uma experiência realmente diferente.

É verdade que por mais que seja tentador para uma empresa tentar criar algum conceito no mundo dos jogos, a realidade é outra. Muitos dos problemas encontram-se nos prazos apertados, no caso de fórmulas já consagradas há o receio de assumir riscos que possam vir a se tornar um fracasso, dentre outros fatores. Como as desenvolvedoras independentes  muitas vezes não possuem todas essas amarras, fica mais fácil arriscar.

Esse foi o caso da desenvolvedora independente Silver Dollar Games, que deixou de lado os “Crush-the-Castles-likes” e resolveu lhe colocar na pele de um sem teto. Criado para a Xbox Live, Homeless, Jon Flook diz que teve a ideia de falar sobre aquele povo esquecido, mas para quem mora nas capitais de todo o mundo bem conhecem a sua existência.

Ao contrário dos jogos convencionais, Homeless não lhe oferece recompensas, não existe uma tabela de pontos, nem mesmo lhe traz uma motivação para ser jogado por várias vezes, Homeless conta apenas uma história do dia a dia de um sem teto. As ambições de Flook eram bem maiores do que o orçamento permitia, mas isso não deixou de tornar o resultado satisfatório para ele.

Existem várias formas de se expressar artisticamente, e eu sou um dos fortes defensores de que há sim a chance de se fazer isso através dos jogos (apesar de não ser uma prática comum). Não o joguei e talvez Homeless não obtenha a devida atenção da indústria por ser tão simplista e desprovido de qualquer fator replay, mas certamente será lembrado pelos poucos que o jogaram.

Lembro de um Web Game que vi em um post do Dori Prata, lá pelo MeioBit, que falava sobre um jogo educativo sobre a morte, chamado “The End”. Um jogo que dificilmente entrará para o mainstream, mas que com certeza passa uma mensagem única, sublime. É impressionante como esse jogo é tocante, por mais simples que seja, ele lhe fará refletir sobre a morte de uma forma quase poética.

Se por um lado é difícil sobreviver na indústria independente criando jogos para a Xbox Live, por outro é louvável ver pessoas como Jon Flook, que ainda sonham em fazer a diferença em uma indústria tão engessada pelos espremidos prazos de entrega e pelas frequentes fórmulas prontas.

[via VentureBeat]