Análise: OZ: Mágico e Poderoso


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OZ: MÁGICO E PODEROSO (Oz: The Great and Powerful)

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Em 1939, O Mágico de Oz, contou a história de uma jovem do interior do Kansas que vai parar em um mundo mágico, depois de ter sua casa tragada do chão por um tornado, e faz de tudo que está ao seu alcance para voltar pra casa. Com isso, encantou o mundo por diversas gerações, com uma trama cativante, personagens carismáticos e excelentes lições de moral, além de trazer efeitos especiais fantásticos, para a época. Pois agora, mais de 70 anos depois, alguém achou que seria uma grande idéia produzir um prequel para aquela história. Ficou a cargo de Sam Raimi dirigir essa produção, roteirizada por David Lindsay-Abraire e Mitchell Kapner.

Oz – Mágico e Poderoso conta a história de como Oz acabou por se tornar o grande protetor daquele país depois de chegar lá em seu balão de ar, também levado por um tornado. No entanto, ao aterrissar em um terreno pantanoso, é recebido por Theodora (Mila Kunis), uma bruxa boa irmã de Evanora (Rachel Weisz), que lhe conta da profecia de que um grande mágico, com o mesmo nome de sua terra, iria chegar para restaurar a ordem depois da queda do rei.

Conhecemos Oz pouco antes de uma de suas apresentações, quando é habilmente estabelecida sua personalidade como um ilusionista competente, apesar de tramar com parte do público alguns de seus truques. Além disso, também é competente em seduzir moças inocentes, apesar de sempre ser atrapalhado por Frank (Zach Braff), seu ajudante.

A história adota desde o seu início um tom bem mais infantil que do original. Seja com as fadinhas do lago, ou com o macaco alado Finley (também dublado por Zach Braff), ou com a pequena garotinha de porcelana (dublagem de Joey King). Existem poucos momentos de verdadeira tensão ou em que realmente sentimos medo pelos personagens.

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As referências e homenagens ao original estão presentes ao longo de todo o longa, como no modo em que a bruxa má aparece na terra dos munchkins, ao passarem pela mesma encruzilhada em que Dorothy encontra o espantalho, um lenhador que porta o mesmo machado do Homem de Lata, ou quando Finley chama um leão de covarde na floresta, ou no nome da namoradinha de Oz, Annie (Michelle Williams), que lembra o da tia de Dorothy. Portanto, causa estranheza que no meio de tantas citações não haja uma que lembre o item mais importante da história original.

Infelizmente, as tentativas de fazer referência constantemente acabam por enfraquecer a história, pois é visível que algumas cenas foram incluídas mais para este fim do que para enriquecer a trama. Outro ponto fraco no roteiro é nas motivações de alguns personagens marcantes, como a Bruxa Má ou ainda pior a própria Bruxa Boa Glinda, quase completamente desperdiçada.

No campo das atuações, um dos únicos digno de elogios é James Franco (e se a melhor atuação de um filme parte dele, isso é algo grave). Rachel Weisz e Mila Kunis estão extremamente caricatas e exageradas, com esta última lembrando o meme da “Overly Attached Girlfriend”, ao planejar todo o seu futuro e de sua família ao apenas conhecer OZ. Quem também está interessante são os dubladores. Zach Braff e Joey King têm ótimos desempenhos na interpretação dos personagens em CGI.

Tecnicamente o filme também oscila. A direção de arte é bastante competente, na construção da cidade das esmeraldas, da terra dos munchkins ou do circo itinerante em que Oz trabalha. O trabalho de fotografia é igualmente eficiente. Algumas cenas são dignas de serem congeladas e penduradas na parede de casa. O uso das cores é trabalhado de forma magistral, como no campo das papoulas, ou na chegada à terra protegida por Glinda (Michelle Willians).

Infelizmente, algo fundamental para que o filme funcionasse deixa bastante a desejar. O trabalho de maquiagem é fraco, com a Bruxa Má parecendo utilizar a máscara usada por Jim Carrey em O Máskara. E o visual de alguns tinkers adultos beiram o ridículo. E os efeitos visuais também são falhos, com alguns personagens virtuais sem peso, comprometendo várias cenas, sem contar os movimentos de vôo das bruxas, igualmente irreais.

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Felizmente, o filme melhora consideravelmente no terceiro ato, quando finalmente Oz assume a postura do grande mágico que conhecemos. Porém, isso não chega a transformar a volta à terra mágica de Oz numa experiência igualmente gratificante como foi a volta  à Terra-Média orquestrada por Peter Jackson em O Hobbit.

Nota: 5.0/10

Sugestões: Se você gostou desse filme, talvez goste de “Alice no País das Maravilhas” de Tim Burton e do original “O Mágico de Oz“, de 1939.