O Poderoso Chefão, a análise – Conforme o prometido! 11


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Prometi, há muito tempo, as análises da trilogia de O Poderoso Chefão (The Godfather), e depois de muito prometer, venho finalmente fazer os meus comentários sobre o nosso querido padrinho, ou melhor, os nossos queridos padrinhos. E como estamos falando de três filmes bastante intensos, dividi essa análise em três merecidas partes.

O Poderoso Chefão – Parte I

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Como se trata de um filme muito conhecido, mas que nem todos assistiram ou faz tempo que assistiu, vamos começar pela sinopse.

O primeiro filme da trilogia fala de uma família tradicional americana, mais precisamente de Nova Iorque que, assim como muitas famílias de imigrantes, luta para manter as tradições de seu país de origem (no caso, a Itália). E como toda família nos Estados Unidos (e provavelmente em todo o mundo) próximo aos anos 50, tinha o seu líder, o chefe da família, a cabeça: Vito Corleone (Marlon Brando), que não só é o líder de sua família como também é o chefe do crime de todo o país. A sua principal atividade é garantir a segurança de seus “amigos”, prestando favores nada éticos, nem legais. Durante o casamento de sua filha Constanzia “Connie” Corleone (Talia Shire), a sua casa cheia de convidados e familiares importantes, Don Corleone divide o seu tempo entre trabalhar e dar atenção a festa, é quando seu afilhado e cantor Johnny Fontane (Al Martino) pede ajuda para estrelar em um filme (como protagonista) cujo diretor do estúdio, Jack Woltz (John Marley), não concorda de forma alguma com essa participação. É quando O Poderoso Chefão entra em ação, mexe os seus pauzinhos (ou seja, seus peões), e quando vê que não há acordo a se fazer, ele coloca a cabeça do cavalo favorito de Woltz para dormir junto ao seu dono. E é daí que todos os problemas surgem, e as principais famílias norte americanas  do crime entram em conflito, e principalmente a família Corleone fica abalada.

A trama já começa colocando o Gangster (o melhor de todos eles) em uma posição de adoração. O cara faz tudo de errado no mundo, mata pessoas (correção: manda matar) para adquirir afeição e amizade de todos, é o rei da hipocrisia e do moralismo americano, mas é uma figura tão carismática, que faz o espectador torcer para que os males causados pelo nosso querido Don Vito Corleone dêem certo!  E como isso acontece? Só falando do personagem de Marlon Brando para entender um pouco: Uma figura caricata de um tipo tão misterioso, cheio de segredos, falhas, pecados, trejeitos, errado em quase tudo o que faz, e o seu amor pela sua família (por todos de sua família), mas, principalmente por seu filho Michael Corleone (Al Pacino), é o principal motivo que torna todas as suas falhas justificadas (como se pudéssemos justificar a morte de alguém para conseguir o que quer) pelo próprio espectador. E, claro, precisamos falar dos detalhes do personagem Don Corleone, com sua boca torta, voz nasal, postura, forma de andar, mão no queixo, olhar preocupado, nariz sempre levantado, seu gato de estimação, frases firmes, autoridade, tudo isso acaba por fazer parte de um pacote completo do rei dos crimes.

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Michael Corleone, papel do mestre Al Pacino, além de ser o favorito do protagonista, é a chave para toda a resolução de toda problemática do longa. Ele começa seguindo firme e forte em um estilo e forma de pensar (rapaz cheio de bons princípios que acabava de ganhar uma medalha do governo pela sua honra e participação na 2ª guerra) que depois, para proteger o seu amado pai, muda completamente entrando de cabeça em um mundo que ele jurava não ser o seu. Essa mudança repentina também faz parte de uma grande jogada (do mestre Francis Ford Coppola, diretor), a mudança do protagonista desse primeiro filme: Marlon Brando estrela como protagonista, sendo o tão famoso Don Vito Corleone, enquanto Al Pacino era apenas (não tão apenas assim) o filho protegido de Vito e no decorrer da trama ocorre uma mudança nos papéis. Quando Michael Corleone finalmente passa a ser o Don Corleone e o Godfather, Marlon Brando, tem o seu papel modificado, passando a ser o protegido de seu filho querido, e o melhor – sem redução alguma da significância de seu papel. E como sempre costumo dizer, isso é fantástico! 

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O encaixe de toda a história de um roteiro adaptado, como sabem (ou deveriam saber), estamos falando de uma ficção baseada em um livro escrito por Mario Puzo, que deu vida a esses personagens incríveis, é simplesmente magnífico, sem falar em toda essa união de personagens, roteiro, direção, e fotografia, que não fica atrás de aspecto algum na produção, com uma película levemente granulada, em um jogo de meia luz lindo de se ver e quadros muito bem aproveitados, a fotografia do diretor Gordon Willis é impecável, ele conseguiu sincronizar com as ideias do Coppola, atingindo a atmosfera exata para cada cena.

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Algumas curiosidades sobre a produção valem a pena serem ressaltadas nessa nossa primeira sessão de O Poderoso Chefão: O Diretor Francis Ford Coppola não era o primeiro da lista a ser convidado para a função, Sergio Leone, Peter Bogdanovich e Costa-Gavras foram convidados pela produção do estúdio Paramount Pirctures (que tinha como principal exigência, diretores  ítalo-americanos) antes de Coppola aceitar, que também não foi tão fácil assim, demorou um tempinho até o diretor aceitar seu papel, o drama girava em torno da história e do medo que Ford Coppola tinha de incentivar a máfia e até manchar o nome dos seus antepassados sicilianos, George Lucas que nada tinha com essa história que convenceu Coppola a aceitar o job por conta das dívidas que tinham na Warner Bros. Benditas dívidas, não é mesmo?


Sobre Helosa Araújo

Graduada em Publicidade e Propaganda e especialista em Moda e Comunicação pela Universidade de Fortaleza, eterna estudante e pesquisadora (tendo como principais temas a fotografia, sociedade, cultura e etnias) e dona do blog Tem Na Fotografia. Teve seu primeiro contato com a fotografia (propriamente dita) em 2005 e depois de trabalhar em vários setores da comunicação se entregou aos clicks em 2007 e hoje não sabe ver uma cena sem um determinado olhar crítico pensando em uma forma de enquadrá-la. Profissionalmente falando, Helosa vivia dividida entre várias categorias da fotografia, passeou como freelancer pela fotografia Social, de Moda, Publicitária, Newborn e Documental, hoje, repórter fotográfica do jornal Diário do Nordeste tenta cumprir o seu papel de comunicadora visual usando a fotografia como sua principal ferramenta.

  • Renato

    Perfeita a analise,parabens HElo

    • Zorba, O Grego

      Muito boa iniciativa, mas, por favor, faça com urgência um curso de redação.

      • Amigo, criticar é fácil, queria ver você fazer melhor. Não pretendo ficar aqui batendo boca com um leitor que provavelmente não nos acompanha.
        Mas o aconselho a quando for criticar algum texto, se dê o trabalho de ao menos apontar as falhas. É mais justo com a sua crítica e é mais ético.

        • ramone

          “faz melhor”. Fraca essa, hein?

          • Helosa Araújo

            Hahahahaha… Adorei a crítica. Na verdade, eu não sei nem de onde veio, e apontar é realmente muito fácil, como disse o Igor. Mas melhorou bastante o meu humor de hoje! 😉

    • Helosa Araújo

      Que bom que gostou, Renato! Fico feliz que gostou! 😉

  • Interativa Tecnologia

    O Bom na vida de Don Corleone é que ele não tem Problemas, seus problemas estão todos sepultados. E ele sempre tinha uma Oferta que não podia ser recusada. Don Corleone é Maquiável aplicado até as últimas conseqüências com algumas doses políticas e estratégias de sobrevivência do Cardeal Mazarino.
    Mas dizem que vão fazer um remake brasileiro tendo o José Dirceu no papel de Don Corleone.

    • Acho que um remake mais interessante seria com o José Sarney. Mas… né? 😛

  • Cláudia

    Adoro esse filme!! Outra curiosidade sobre o elenco é que o papel de Micheal Corleone foi oferecido a Warren Beatty, Jack Nicholson e Dustin Hoffmann, mas todos recusaram.. Só entao Al Paccino foi escolhido para o papel. Já Robert de Niro fez teste para o papel de Sonny e Micheal mas não conseguiu nenhum dos dois papeis.
    Parabéns pelo blog, encontrei hje por acaso e gostei mto do conteudo!

    • Muito boas as suas observações, Cláudia, e obrigado pelo elogio ao nosso blog, pois são comentários como os seus que nos dão gás para continuar criando conteúdo por aqui e buscar inovações. 😀

  • Eliaquim JPS

    Excelente crítica!!!