Análise: Looper – Assassinos do Futuro 2


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Olá amigos do Who’s Nerd?. Aqui quem fala é David Arrais, o mais novo colaborador do site. Inicialmente, irei escrever aqui críticas sobre filmes em cartaz nos cinemas de Fortaleza. Em breve, testaremos novas idéias para conversarmos aqui sobre as maravilhas da sétima arte.

Então, vamos ao filme!

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Looper – Assassinos do Futuro

Escrito e dirigido por Rian Johnson, Looper conta uma história ambientada em 2044, quando grande parte da população possui poderes de telecinese e a viagem no tempo, é algo real. Porém, além de ilegal, ela só será realidade no ano de 2074. Nesta época, mafiosos, liderados pelo misterioso Rainmaker, utilizam a viagem para se livrar de inimigos, enviando-os para o passado, onde assassinos (Loopers) estão à espera, em locais pré-determinados, para executá-lo. Para que o plano seja perfeito, depois de 30 anos o próprio looper é enviado ao passado para ser executado por ele mesmo quando jovem.

O conceito de viagem no tempo, por conta de seus paradoxos, é sempre complexo. Por conta disso, toda a trama é explicada em um pequeno prólogo narrado por Joe (Joseph Gordon-Levitt). Pouco depois somos apresentados a Seth (Paul Dano), outro looper, que também é o melhor amigo de Joe. Tudo começa a dar errado quando a versão do futuro de Joe (Bruce Willis) decide não cumprir o combinado, além de fugir do Joe jovem, planeja modificar o futuro alterando momentos fundamentais no presente.

Depois que passam a conviver, o velho Joe explica suas motivações ao jovem, que tenta, em vão, impedir que ele fuja para tentar cumprir seus objetivos. Depois disso, ao ser perseguido pelos demais loopers, o jovem acaba indo parar na fazenda de Sara (Emily Blunt), que vive com seu filho Cid (Pierce Gagnon).

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Pela complexidade do tema, o roteiro acaba tendo que apelar para algumas passagens expositivas, como as consequências de um looper desistir do contrato, ou de haver dois loopers de diferentes eras coexistindo, como em uma explicação bastante razoável      em um diálogo entre Abe (Jeff Daniels) e Kid Blue (Noah Segan) “Não tente entender as consequências. Vai fritar seus miolos!”

O filme conta com sequências de ação excepcionais,    com efeitos visuais sempre bem realizados. Merecem destaque a cena no interior da casa de Sara, no terceiro ato, a invasão do esconderijo dos mafiosos e a sequência final, na plantação de cana.

O roteiro também conta com diálogos preciosos, como quando um personagem avisa “Mude para a China. Confie em mim, eu vim do futuro”, ou toda a cena entre o velho e jovem Joe na lanchonete. Infelizmente ele cai um pouco ao explorar a característica singular de Cid, especialmente no terceiro ato, fugindo um pouco do tema principal.

As atuações são bastante convincentes. Joe é um personagem complexo, consciente que a vida que leva tem um tempo pré-definido de duração, que acaba tornando-o amargo, frio, viciado em drogas, sempre evitando maior proximidade com qualquer pessoa, exceto a prostituta Suzie (Piper Perabo), porém todas as suas investidas são em vão.

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Bruce Willis e Joseph Gordon-Levitt funcionam muito bem juntos. Willis abusa, no bom sentido, de todos os trejeitos que lhe transformaram em astro de ação, protagonizando também um grande momento, ao ficar profundamente afetado por um ato terrível que acaba de cometer.  Já Levitt faz uma excelente interpretação de Bruce Willis jovem, com todos os seus maneirismos, como a voz rouca e o sorriso de canto de boca, auxiliado pelos efeitos visuais e de maquiagem que colaboraram nas semelhanças físicas, como o nariz, olhos e boca.

A reaparição de Jeff Daniels em blockbusters é uma grata surpresa, como o enviado do Rainmaker para “manter a ordem” no tempo presente. Noah Segan interpreta um looper incompetente, sempre tentando agradar Abe acima de qualquer outra coisa. Garret Dilahunt tem uma participação rápida, porém em uma passagem fundamental. Qing Xu também aparece pouco, como a esposa de Joe no futuro.

No entanto, Emily Blunt é quem mais merece destaque. Sara é uma mulher forte, decidida, e ao mesmo tempo frágil e solitária, o que lhe confere grande profundidade. Vivendo uma convivência conflituosa com seu filho Cid, é perceptível a sua confusão por não saber lidar com os problemas dele.

Tecnicamente o filme é impecável. A construção das cidades no futuro é impressionante, mostrando um possível (ou provável) destino das cidades americanas diante da deterioração da sociedade e de seus valores, fazendo um contraponto com o desenvolvimento exibido em Xangai.

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A direção de arte chama a atenção também em ambientes internos como o apartamento do jovem Joe, ou a casa chinesa que ele possui no futuro. Outro aspecto em que ela é bastante eficaz é em relação aos equipamentos, como as armas e veículos, em especial a moto voadora.

A montagem também tem papel fundamental, sempre mantendo o ritmo alto, sem tornar mais confuso que o necessário, ao mesmo tempo em que “brinca” em alguns momentos com as alterações causadas pelas alterações no espaço-tempo.

É sempre gratificante quando um filme que tinha tudo para ser um blockbuster de ação nos surpreende com um ótimo roteiro e grandes atuações. E Looper é mais uma prova de que é possível unir esses elementos e realizar uma obra de entretenimento de alta qualidade.

  • Frederico Araripe

    É interessante apesar da historia ser furada… O filme trabalha uma ideia de tempo único, onde quando viajamos nele não é criada uma nova linha de tempo paralela (um braço), com isso o final deixa bem a desejar: como ele pode ter impedido o aparecimento do Rainmaker se este só é criado por causa da busca por ele? Explicando melhor: como pode o Rainmaker ter existido algum dia, se foi o próprio Joe que o “criou” ao matar a Sara, sendo que ele só a matou por que estava na busca deste que já existia no futuro. Não sei se deu para entender, mas é por ai…

  • decio

    O primeiro loop começa lá pelos 26 min. a primeira vez que o
    Willis aparece e vira de costas, derruba o Levitt. Este, apesar de avisado,
    volta para casa, quando ele tenta fugir pela janela, a mão escapa, ele cai e desmaia,
    provavelmente sendo morto em seguida. Inicia outro loop.

    2º loop, 29 min. Ele mata o Willis e o futuro dele corre
    normalmente. Viaja, conhece a mulher, conhecemos o futuro com o rainmaker e vêm
    pegá-lo. Ele luta com os caras e é mandado de volta.

    3º loop . 34 min. Dessa
    vez, ele se defende. Como os fatos mudaram, as lembranças se constroem simultaneamente
    para o Willis quando acontecem para o Levitt. Desta vez, O Willis percebe que o
    alter ego voltou pra casa e vai atrás para garantir a segurança dele. Ele cai
    de novo, mas só desmaia e o Willis mata os caras que provavelmente iam matar o
    Levitt. Este é salvo desta vez. Ele é, potencialmente o Willis que está andando
    por aí, tanto que escreve o recado através do braço.

    Neste loop, o Willis vai atrás do garoto que vai se tornar o
    rainmaker, mas ele só vai se tornar o bandido porque foi atacado pelo Willis
    (perdeu a mandíbula e viu a mãe morrer – ele finalmente aceita a Sara como mãe
    dele).

    Aí, o Levit se mata para impedir isso. E o Willis desaparece
    e o tempo continua a fluir daí. Dessa vez o menino fica com a mãe e não haverá
    rainmaker.

    Não sei se o livro termina assim. Fiquei curioso. Mas esse
    final do filme, apesar de possuir maior carga dramática, contraria qualquer
    lógica de viagem ao passado, inclusive do que o próprio filme vinha mostrando
    até então.

    O que deveria ter acontecido: Quando o Levitt morre, deveria
    ter iniciado outro loop, com o Willis voltando ao passado. E mais: quando ele
    altera o passado dessa forma, fazendo crer que não haverá rainmaker, e acabando
    com o futuro do Levitt, não há Willis para voltar e ameaçar matar o garoto. A
    mulher do Willis nunca poderia ser morta pelo rainmaker, até porque ela nunca
    será mulher do Willis, já que ele não vai existir com a morte do Levitt.

    Conclusão: furo do filme. Esta linha temporal não poderia
    continuar depois da morte do Levitt. Somente poderia continuar se quem morresse
    fosse o Willis, porque, ainda assim, haveria a potencialidade do garoto se
    transformar em rainmaker e matar a mulher do Willis (para que ele ainda assim
    voltasse e tentasse matar o garoto).