O que está acontecendo com a indústria de jogos? DLCs, F2P, WTF? 2


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Depois de ler esse excelente post do meu amigo e parceiro Marcão, do xboxplus, fiquei pensando sobre como a indústria de jogos está rumando para uma “plastificação” do que antes era pura arte e diversão. Quando eu digo arte, não é no sentido formal e conceitual do termo. Não. Uso o termo arte levianamente mesmo, fazendo uma alusão aos tempos onde fazer um jogo era coisa braçal, difícil, e até rudimentar. Acredito que o que acontece com os jogos hoje, já aconteceu com outras indústrias mais antigas, como a fonográfica e cinematográfica. Afinal de contas, tudo que envolve dinheiro, tem o dinheiro como seu fim. Nem todo mundo está disposto a investir em uma indústria apenas por amor ao negócio.

E é esse pensamento capitalista e corporativista do mal que anda fulminando a indústria de jogos como conhecemos. Se o intuito é gerar mais lucros e correr menos riscos, uma das primeiras apostas de qualquer publicadora é investir em uma franquia estabelecida. É sabido que apostar em uma franquia nova é, como o próprio início da frase supõe, uma aposta. Aposta essa que pode ser alta demais e não gerar o retorno esperado. Daí são gerados outros problemas como corte de custos, que acaba por resvalar no corte de recursos humanos, mais conhecido como demissão em massa, ou como vemos nos sites “gringos” os famosos layoffs.

Daí, ao longo do tempo, algumas modalidades de negócios surgiram e estão assolando a atual indústria de jogos. E é sobre essas modalidades de negócio que eu quero discursar um pouco, e antes de mais nada, quero dizer que esse post é parcial e representa apenas a minha opinião sobre o assunto. Caso algum hater ou troll se sinta na  vontade de xingar muito no espaço de comentários, saiba que o alvo sou eu. 😉

Os DLC’s imorais e em demasia

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Com a integração dos jogos com a internet e os consequentes modos multiplayer, não demorou muito para que conteúdo adicional passasse a ser disponibilizado via download. Claro que quando falamos de conteúdo adicional, falamos de conteúdo adicional pago (na maioria das vezes). A partir desse momento a indústria de jogos trocou o clássico Konami Code (cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A) por conteúdo pago.

Isso mesmo, meu amigo, desconsiderando uma pequena parcela de DLCs realmente interessantes, temos uma penca de DLCs que adicionam bobagens como uma roupagem diferente para personagens de jogos luta (Capcom, estou olhando para você) por preços módicos, mas mesmo assim precificados. Adicionais esses que nos primórdios da indústria eram adquiridos apenas com um código ou feitos in-game.

E por falar na Capcom, a mesma chegou ao absurdo de inserir o conteúdo “adicional” ao Street Fighter x Tekken onde o mesmo já se encontrava dentro da mídia física, sendo necessário apenas pagar pelo desbloqueio do mesmo, contrariando totalmente o termo DLC (Downloadable Content), já que o único download necessário seria o da chave de ativação. Em miúdos, seria como pagar para ativar o efeito de um Konami Code. Eu acho essa prática imoral e a atitude da empresa deveria ser um exemplo a não ser seguido por nenhuma desenvolvedora de jogos. São atitudes como essa da Capcom que me fazem passar longe de qualquer conteúdo adicional em um jogo, seja ele tido como bom ou não.

Free-to-Play, não tão “free” assim

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A modalidade Free-to-Play (ou F2P) é outra que chegou e se acertou perfeitamente com os objetivos dos empresários capitalistas e mercenários. Não quero fazer aqui um discurso de aluno da faculdade de História com uma camisa do Che Guevara, mas sejamos justos com os nossos bolsos e o nosso senso crítico. Há lá os jogos que praticam essa modalidade de uma forma saudável, mas há também aqueles que basicamente se tornam  praticamente “injogáveis” sem desperdiçar alguns trocados neles.

A verdade é tanta, que a Sony Entertainment Online ao decidir tornar o jogo DC Universe Online Free-to-Play, faturou mais dinheiro do que jamais conseguiu no formato de mensalidade.

– Mas hei, tio Igor! Se você está dizendo que a Sony faturou mais com essa modalidade, significa que ela é benéfica, não?

Depende, pequeno padawan. Se estamos falando do ponto de vista empresarial, certamente a história prova que a modalidade é viável e rentável. Mas do outro lado temos o consumidor, o gamer, àquele que faz questão de pagar por um jogo de qualidade. E é desse ponto de vista que estou falando, do ponto de vista de quem tem interesse de pagar por um produto de qualidade.

– Então não seria mais fácil simplesmente deixar de lado esses jogos que praticam essa modalidade?

Bom, em um mundo perfeito seria, mas não estamos em um mundo perfeito, não é? Na nossa realidade o mercado se molda de acordo com os próprios interesses, e se uma modalidade está tendo sucesso, invariavelmente essa modalidade será adaptada pela indústria e pelas fábricas da qual essa indústria faz parte. E ao ver o interesse da Blizzard de tornar seu Starcraft 2 Free-to-Play, percebemos que o problema não é tão simples quanto aparenta. Esses dias mesmo peguei a senhora minha noiva gastando alguns trocados em um joguinho para celular, para ativar algumas vantagens. E estamos falando de alguém que não costuma gastar para comprar jogos, mas quando se trata de microtransações, acabou enxergando como atrativo.

Mimimi, blá blá blá. Mas e aí? Qual é a conclusão?

Bem, meus caros, não há. Há no entanto especulações minhas a respeito disso. Acredito que a indústria de jogos nunca esteve tão sólida quanto nos últimos anos, e muito se deve inclusive a essas modalidades de negócio supracitadas (incoerente, não?). Mas a longo prazo será que essa modalidade se mostrará tão eficaz como se mostra nos dias atuais? Não sei, mas pelo bem da indústria, eu espero que não.

Espero que o foco em fazer jogos bons e de qualidade ainda seja o objetivo das grandes empresas. Espero ainda poder jogar jogos com um enredo tão complexo quanto o de Xenogears ou do seu sucessor espiritual Xenosaga. Espero ainda poder sentir a magia que senti ao jogar Shadow of the Colossus, e não precisar gastar 2 dólares para habilitar um Colossus extra, que já estava no jogo desde o início.

Como disse, não criei conclusões, mas toquei em um assunto polêmico e interessante, e espero que vocês interajam no espaço de comentários aqui abaixo e quem não sabe não cheguem a algum consenso (ou não).

  • Victor Botelho

    Anotado, vou por em prática esses modelos rentáveis rsrsrs

    Ps: comprei o Shadow of the Colossus do PS3 e to com pena de jogar. Já ouvi muito sobre esse jogo.
    E o “The Last Guardian”, será que vai rolar DLC?

    • Bom… eu não sei nem se ele vai chegar a ser lançado… mas se for… eu duvido que venha com DLC (ou não).