E O Espetacular Homem-Aranha foi realmente tão espetacular assim?


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Com um atraso jamais visto na central de ideias e opiniões do Who’s Nerd?, finalmente chego com a prometida e já desacreditada crítica do filme O Espetacular Homem-Aranha. Como fã de longa data do cabeça de teia, eu precisava acreditar que o Andrew Garfield se sairia melhor do que o Tobey Maguire na antiga trilogia idealizada pelo Sam Raimi, afinal de contas, eu ainda tinha esperanças de ver meu super herói predileto da Marvel ser representado como se deveria em um longa metragem. Você se pergunta se Andrew Garfield é melhor do que Tobey Maguire? Se Marc Webb superou Sam Raimi? Bem, leia a nossa crítica de O Espetacular Homem-Aranha e descubra a opinião desse que vos escreve.

Homem-Aranha e um novo recomeço. Precisava?

Uma das grandes reclamações da crítica especializada, é referente ao fato de que a trilogia do Sam Raimi é recente demais para necessitar de um reboot, e ver o início da história do Homem-Aranha ser recontado (mesmo que de uma nova forma) apenas 10 anos depois do primeiro filme da última trilogia, é algo que realmente deve ser levado em conta.

Acredito em dois motivos fundamentais que fizeram com que O Espetacular Homem-Aranha viesse a tona. O primeiro e mais óbvio, é de que o terceiro filme da trilogia de Raimi é simplesmente muito ruim para merecer uma continuação. O segundo é que a indústria cinematográfica hollywoodiana vem passando por uma época de vacas magras de ideias inovadoras, fazendo com que a saída mais fácil seja sempre apelas para mais do mesmo e reboots.

Mas tio Igor, responde aí: Precisávamos realmente de uma nova história do Homem-Aranha? Bem, queridos leitores, não sei se precisar é exatamente o termo certo, mas com certeza não poderiam dar continuidade ao trabalho de Raimi. Não depois daquele fiasco que foi o terceiro filme. Agora esquecendo a derrocada da antiga trilogia, posso dizer com convicção, que entre os seus altos e baixos, esse novo filme dirigido por Marc Webb tem muito mais do Homem-Aranha do que a obra de Raimi jamais teve.

Então o que faz O Espetacular Homem-Aranha melhor do que seus antecessores?

A atenção aos detalhes do Peter Parker (Andrew Garfield) original e os seus momentos pré Era do Bronze dos Quadrinhos foram os fatores que me fizeram encarar O Espetacular Homem-Aranha dessa forma. Fatores como a relação romântica entre ele e a jovem Gwen Stacy, interpretada no filme pela competentíssima Emma Stone, ou a fase estudantil em que Peter Parker está passando quando acaba sendo picado pela aranha radioativa (que no filme virou geneticamente modificada, mas… who cares?), ou os bons e velhos cartuchos de teias, que infelizmente no filme não receberam o destaque que mereciam. Todos esses detalhes, fizeram com que esse filme, ao menos ao meu ver, superasse os seus antecessores.

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Mas calma, nem tudo são flores. O Espetacular Homem-Aranha tem lá suas falhas no desenrolar da trama, que muitas vezes ou é evasiva demais, ou simplesmente se preocupa em explicar o óbvio, subestimando a inteligência do espectador. Algumas pequenas alterações pontuais, principalmente na personalidade de Peter Parker, podem desagradar muitos fãs. Nas primeiras edições dos quadrinhos do Homem-Aranha, Peter Parker era um moleque tímido, extremamente inteligente e rejeitado por grande parte dos colegas de colégio, já em O Espetacular Homem-Aranha, apesar desse Peter Parker ainda ter algumas dessas características, ele também apresenta um lado mais descolado, meio esqueitista (feia né, essa palavra?) e revoltado, que destoa bastante do personagem original.

Um novo Homem-Aranha, um Peter Parker mais novo e um novo recomeço.

Gostaria de parabenizar o excelente trabalho de James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves, roteiristas de O Espetacular Homem-Aranha. Eles conseguiram contar de uma forma bastante satisfatória, uma história que de certa forma já havia sido contada há 10 anos, com um toque mais emocional e uma nova roupagem. Uma novidade no roteiro é a adição dos pais de Peter Parker, que acabam deixando o pequeno Peter com seus tios para, segundo eles, protegê-lo. A relação entre Peter Parker e o Tio Ben (Martin Sheen) e a Tia May (Sally Field) ficou muito bem retratada nesse reboot, superando ao meu ver, a apresentada na trilogia passada (é inevitável fazer essas comparações). A ‘química’ entre Peter Parker e a Gwen Stacy também faz parte de um dos pontos fortes desse filme, mostrando um interesse por parte da loirinha Stacy muito mais genuíno do que o da Mary Jane na saga de Sam Raimi.

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O ponto fraco do enredo é mesmo por parte do vilão. O doutor Curt Connors (Rhys Ifans) é um personagem bastante importante nos quadrinhos, mas que infelizmente foi muito mal representado nesse filme. A relação entre ele e a indústria Oscorp também ficou uma coisa muito sombria e mal elaborada, e todo aquele mistério envolvendo um Norman Osborn moribundo não ajudou muito a desenvolver essa ligação. Por fim, o Lagarto, o alter ego do Doutor Connors, é um vilão mediano, que acaba não se encaixando muito bem no contexto do filme, mas também não chega a prejudicar o andamento da trama.

Tecnicamente falando, o que achar de O Espetacular Homem-Aranha?

O novo visual do Homem-Aranha ficou realmente muito bom, infelizmente o ritmo tomado para mostrar a construção do novo uniforme foi deveras acelerado e, por conta disso, acabou perdendo um pouco da dramatização. Em relação aos momentos de ação, eles ficaram muito bem elaborados, mostrando inúmeras cenas épicas, como o primeiro encontro do cabeça de teia com o Lagarto na Ponte de Brooklyn, ou o outro encontro no colégio em que o Parker estuda. Além disso, apesar de desnecessário, o 3D foi muito bem utilizado nesse filme, trazendo cenas com bastante profundidade e imersão.

Na parte sonora, a trilha é grandiosa, mostrando bastante competência por parte do compositor James Horner, que apesar de não ser nenhum Hans Zimmer, conseguiu fazer um excelente trabalho. Em relação a atuação, os dois grandes destaques vão para o par romântico dos personagens de Andrew Garfield e Emma Stone. O Peter Parker de Garfield é inseguro, impulsivo, imaturo e as vezes até ingênuo, ou seja, tudo o que um Homem-Aranha em início de carreira deveria ser. A Gwen Stacy da Emma Stone completa perfeitamente essa fase em que Peter Parker está passando, talvez pelo fato de ela ter passado a vida com receio de perder o pai para o crime de Manhattan, Capitão George Stacy (Denis Leary).

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Então… e aí? Deu tudo certo com o filme?

O resultado final do filme pode não ter sido impecável (na verdade ele tem várias pequenas falhas que prejudicam a sua nota final), mas com certeza foi muito bem vindo. Esse filme deu um novo gás ao personagem nos cinemas, e o potencial dessa nova saga é alto. Torço para que as decisões estratégicas envolvendo o crescimento de Peter Parker sejam mais felizes do que as passadas. Esse que vos escreve está bastante satisfeito com o resultado do filme, mas sabe que dava para ser bemmmmm melhor.