O Artista mereceu ou não o Óscar de melhor filme?


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É lançado um desafio: Cinema mudo em 2012. Tanto para quem produz, como para quem assiste. Para quem não está acostumada, a leitura de um cinema mudo passa a tornar-se tola, pelo imediatismo das mensagens e do mínimo exigido para interpretação. As cenas são óbvias, os trechos dos cortes são pequenos e os poucos textos que têm são o mínimo necessário para complementar na interpretação que muito provavelmente o espectador já havia assimilado.

A magia então fica pela subjetividade de cada um que está assistindo. Em uma época como essa, onde os cinemas  já mostraram quase tudo, assistir a um filme mudo, é deixar seus sentidos serem tomados pelo longa. E não só isso. Os personagens, a época, o figurino, a produção, a fotografia, direção, o roteiro, preto e branco e a sensação de estar assistindo um filme em película que fazem os 100 minutos de filmes tornarem-se encantadores!

Um filme que podemos considerar metalinguístico, assim como A invenção de Hugo Cabret, abordando a história do cinema dentro de um parâmetro específico: O Áudio. Algo que nos filmes de hoje é a peça chave para envolver ainda mais o espectador, mas que marcou época no seu surgimento causando polêmicas e gerando desafios para os profissionais envolvidos. A mais pura homenagem a história do cinema.

O personagem principal, George Valentin (Jean Dujardin) sofre um declínio na sua carreira como ator de cinema mudo enquanto a atriz Peppy Miller (Bérénice Bejo) segue em direção ao sucesso soltando a sua voz, as duas vertentes acontecem por conta da evolução do áudio nos cinemas.  O  evolvimentos dos dois é instantâneo e o que vai favorecer ou atrapalhar o encontro dos dois é justamente a carreira de cada um.

Um aspecto que merece uma grande consideração são os personagens. Como se trata de um filme mudo, os personagens são bem característicos assim como suas interpretações e figurinos. Jean Dujardin consegue absorver a essência necessária para a devida interpretação, cada movimento que faz parece (e é) estrategicamente pensado, tornando-se uma figura carismática e elegante na figura do charmoso George Valentin. Sem contar do seu fiel escudeiro Jack (o cachorro) que sempre mostra o lado bom do seu dono.

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Assim, O Artista que teve interferência de produção francesa e americana, vem não só para homenagear a história do cinema, mas para quebrar paradigmas, realizar o sonho de seu diretor Michel Hazanavicius (dirigir um filme mudo) e de quebra ganhar seis óscares em 2012, sendo considerado o primeiro filme mudo a ganhar o óscar de Melhor Filme desde 1929!


Sobre Helosa Araújo

Graduada em Publicidade e Propaganda e especialista em Moda e Comunicação pela Universidade de Fortaleza, eterna estudante e pesquisadora (tendo como principais temas a fotografia, sociedade, cultura e etnias) e dona do blog Tem Na Fotografia. Teve seu primeiro contato com a fotografia (propriamente dita) em 2005 e depois de trabalhar em vários setores da comunicação se entregou aos clicks em 2007 e hoje não sabe ver uma cena sem um determinado olhar crítico pensando em uma forma de enquadrá-la. Profissionalmente falando, Helosa vivia dividida entre várias categorias da fotografia, passeou como freelancer pela fotografia Social, de Moda, Publicitária, Newborn e Documental, hoje, repórter fotográfica do jornal Diário do Nordeste tenta cumprir o seu papel de comunicadora visual usando a fotografia como sua principal ferramenta.