Spoiler – O grande vilão da internet


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ned stark spoiler alertO termo spoiler não é novo, segundo a Wikipedia, sua primeira utilização com o contexto conhecido por nós, data do início da década de 70, quando na revista National Lampoon, o jornalista Doug Kenney o utilizou para criticar os críticos(sic) que em seus textos dão spoilers dos filmes. Hoje, mais de 40 anos após a sua primeira utilização historicamente documentada, o termo está mais em voga do que nunca. Os motivos são muitos, mas certamente o grande difusor atual do termo “spoiler” chama-se Game of Thrones.

Nunca antes na história do entretenimento se falou tanto sobre spoiler. O motivo é simples: com o advento da internet, a atitude retardada e deliberada de estragar o prazer de muitos está há apenas um clique de distância. Não importa qual seja a mídia. Seja uma série de livros, seja um seriado televisivo, seja um filme, seja o que for, nenhuma delas está a salvo dessa maldição.

Porém, eu acredito que eu possa ter colocado o carro na frente dos bois, já que até o momento você ainda possa estar se perguntando: MAS O QUE DIABOS É SPOILER? Bem, vamos às devidas explicações.

Segundo a definição oficial do termo, spoiler nada mais é do que a revelação de fatos importantes, ou até mesmo do próprio desfecho de obras como filmes, séries, desenhos, livros ou jogos de videogame. Pode parecer tolo explicar o óbvio para o nosso seleto público alvo, mas dado a uma dúvida recente que um colega de trabalho teve, ao fazer a seguinte indagação: “SPOILER? O que é isso?”, achei pertinente deixar claro sobre o que estamos falando.

Recentemente, como falei no início do texto, mais uma vez a série da HBO, Game of Thrones, foi alvo desse estranho fenômeno social. Em sua quinta temporada, mesmo a série cada vez mais distante do enredo da sua obra original, Game of Thrones não foi poupada dos infindáveis spoilers jogados nas redes sociais das formas mais variadas possíveis. Desde uma foto extremamente reveladora no Instagram, até um textão acompanhado de uma foto igualmente reveladora no Facebook.

Para os espalhadores de spoiler (ou spoiler-adores), o limite não existe, o importante é sair na frente no ato da babaquice. Acabou de assistir episódio X da série X e personagem Y morreu? Nada mais natural do que sair imediatamente espalhando pelos quatro cantos da internet o ocorrido, sem levar em consideração que há uma ENORME chance de nem todo mundo estar acompanhando tão avidamente quanto você.

Mas quem são os espalhadores de spoilers? O que eles fazem? Onde estão? No episódio de hoje do Glob… opa, pera aí. Na verdade, qualquer um é um potencial espalhador de spoiler, inclusive você que está lendo esse texto. Quem nunca, em euforia, soltou um MEGA SPOILER no Twitter ou Facebook em tenra idade? Digo em tenra idade, por que apesar de não haver nenhum estudo específico, meu senso estatístico baseado na minha própria opinião com taxa de acerto de 99%, detecta que há 86,38%(número propositalmente quebrado para impressionar) de chance de um spoiler surgir através dos dedos de um menor de 18. De toda forma, o estrago que eles fazem é grande, chegando a ser capaz de fazer o nerd mais nervoso, ficar mais nervoso ainda. Onde eles estão? Nos confins mais insalubres da internet, e você sempre tem um ou dois amigos assim.

Case de insucesso de Spoiler:

Em meados de 2008, quando o Orkut tinha alta relevância na internet brasileira, quiçá mundial, existia uma comunidade sobre Lost que sempre postava falsos spoilers dos próximos episódios, e era sempre divertido lê-los e perceber o quão toscos eram em sua construção. Bem, isso até o derradeiro dia que lançaram o spoiler do episódio final da 4º temporada, que vocês devem lembrar perfeitamente da icônica frase: WE HAVE TO GO BACK!, proferida por Jack Shephard para a Kate Austen fora da ilha, em um momento que até então parecia ser apenas mais um flashback, quando na verdade era um flashfoward.

 

Como vocês podem imaginar, esse bendito spoiler que lançaram não era dos falsos, mas sim uma descrição detalhada e minuciosa de cada acontecimento do episódio. Quando eu li, não achei que estaria lendo mais um daqueles esdrúxulos falsos spoilers, mas sim um falso spoiler muito do criativo. Nos primeiros cinco minutos assistindo o bendito episódio, eu percebi a besteira que eu havia feito. Ao contrário da maioria esmagadora que ao assistir ficou embasbacada, eu só sentia remorso e tristeza por saber com antecedência cada vírgula daquele roteiro. Resultado: aprendi da pior forma os malefícios que um spoiler pode trazer.

Agora, em pleno ano de 2015, com o acesso a banda larga e internet móvel mundialmente difundido, a todo momento você está sujeito a dar de cara com uma revelação nada agradável para quem gosta de ser surpreendido. Esse texto, no entanto, não tem qualquer intenção de cagar regra ou de, inutilmente, tentar convencer quem pratica a fina arte de ser filho da p%$a e estraga prazeres, de que esse serzinho deveria mudar de atitude. Não tem essa intenção simplesmente por eu ser bem cético quanto a humanidade e o cidadão médio.

Porém, contudo, entretanto e todavia, indico aqueles seres iluminados que aqui chegaram, a pensarem três ou mais vezes antes de compartilhar alguma revelação de um momento crítico da obra que você está seguindo. Há uma regra social não escrita, que diz que quando uma obra já está datada, onde já passaram-se anos de sua exibição ou criação, há uma tolerância muito maior em relação a essas revelações do que obras atuais, portanto, vale também o bom senso (mesmo que seja item raro nos dias de hoje).