Sobre Rachel Bryk, transfobia, intolerância e GameDev 2


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Rachel Bryk

A internet tem um monstruoso potencial tanto para o bem quanto para o mal. Isso é um fato. Infelizmente devido ao enorme número de “abortos mal sucedidos”, essa balança entre bem e mal está consideravelmente desnivelada. Se por um lado você consegue falar com seus familiares que resolveram morar no sul da Tanzânia através da Internet, por outro, há uma espécie de vórtice dos sete infernos que trazem para a superfície da internet os “comentaristas” do G1.

Pois bem. Feitas as devidas apresentações óbvias a vocês “internautas”, chega a hora de falar sobre a grande problemática do post: O falecimento de Rachel Bryk. Se Rachel fosse apenas uma desenvolvedora de jogos, que aos seus 23 anos estivesse totalmente focada no desenvolvimento e aprimoramento de um emulador de videogames, nada de anormal teria acontecido. O problema reside no fato de que Rachel Bryk, assim como Geni de Chico Buarque, era uma transexual assumida(sic), que atraiu o ódio gratuito do populacho, no caso de Bryk, da Internet.

Nos dois últimos anos a carreira de Rachel Bryk como desenvolvedora se destacou pela participação no Projeto Dolphin. Se você é conhecedor de emuladores de videogames, há grandes chances de você já ter ouvido falar no Dolphin (Esse que vos fala já, ao menos). Acontece que aos 23 anos, Bryk sofria de fortes dores devido a uma artrite reumatoide diagnosticada, além de fibromialgia. Essa segunda, está diretamente ligada a depressão, problema do qual Rachel Bryk sofria (e pode-se imaginar o porquê, né?). Como sofria TAMBÉM de depressão, Bryk comentou em uma thread no fórum 4Chan, que estava saindo de vários sites pois estava constantemente sendo vítima de ataques de transfobia.

Bem, acontece que há alguns dias atrás, pouco antes do fatídico dia de Rachel Bryk, alguns trolls desocupados resolveram infernizar ainda mais a vida de Bryk, que já não estava lá das melhores. E como todo “bom” troll da internet, eles o fizeram através da rede social Ask no perfil de Bryk, onde zombaram constantemente dos seus comentários suicidas, sugerindo inclusive que a mesma pulasse da ponte. Daí, no dia 23 de Abril de 2015, Rachel Bryk deu fim a sua breve jornada pulando da ponte de George Washington. Não estou aqui sugerindo que os comentários dessas criaturas vis tiveram qualquer  efeito determinante na decisão de Bryk, mas tampouco acredito que tiveram qualquer intenção de a ajudarem de alguma forma.

ask rachel bryk

No final das contas, temos uma triste história de alguém que teve sua trajetória encurtada por causa de doenças e, em algum grau, de doentes. Esses mesmos doentes que poderiam ajudar ao menos ficando calados, e não empurrando ainda mais para o fundo do poço alguém que já estava preparando seu terreno para o suicídio.

O time de desenvolvimento do Dolphin deixou várias mensagens muito bonitas para a finada Rachel Bryk, que entregou o seu melhor como desenvolvedora. Mesmo com todo o respeito adquirido por seu trabalho prestado a equipe do Projeto Dolphin, ela não foi capaz de suportar suas dores, que imagino terem ido muito além das físicas.

Dica o tio Who’s Nerd? sobre o caso Rachel Bryk (e a vida!)

Eu espero, do fundo do meu coração, que se por acaso você chegou até o final desse texto e, de alguma forma, representa em qualquer porcentagem que seja, alguém que costuma agredir psicologicamente outras pessoas simplesmente por que essas outras pessoas são diferentes, eu realmente espero que você pare. Pense. Reflita. Agora respira fundo e aprende a superar esses preconceitos bobos. Aprende a conviver com o diferente. O que faz uma pessoa ser boa ou ruim não são seus “rótulos”, mas suas atitudes. Se alguém está sendo (ou é) diferente e não está lhe prejudicando e/ou agredindo, simplesmente deixa esse alguém em paz. Sério mesmo. Você não ganha nada tornando a vida de outra pessoa pior. Já o sentimento de tornar a vida de outra pessoa um pouco melhor que seja, é infinitamente melhor. É engrandecedor.

Então fica aqui minha dica: Coloque como seu objetivo pessoal e principal desde já o de se tornar uma pessoa melhor. O de se tornar uma pessoa sem preconceitos, ou ao menos uma pessoa que busque constantemente lutar contra os próprios preconceitos. Já é um passo e tanto.

[via Gamasutra e Vocativ]