O Grand finale de How I Met Your Mother 4


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grand finale de how i met your mother 01 - 2014 04 10O Grand finale de How i met your mother a gente não podia deixar de comentar e dividir com vocês aqui no nosso querido Who’s Nerd?. Demorei um pouco porque não sabia por onde começar, visto que, mesmo sendo uma série intermediária de comédia americana, nós (O Sr. Who’s Nerd? e Muah) nos apegamos, e nunca deixamos de acompanhar rigorosamente a cada capítulo e a cada temporada. O que acaba nos deixando menos críticos, mais tolerantes por conta do apego emotivo e o vínculo que fizemos com as histórias dos personagens e da identidade que eles carregam. Se me colocarem para analisar Friends, eu consigo ser capaz de encontrar justificativas racionais para explicar os incontáveis erros de continuidade que encontramos na série, por exemplo.

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O Grand Finale de How I Met Your Mother: A Análise

E logo de cara, afirmo: Não, o Grand finale de How I Met Your Mother não atingiu a minha expectativa. A começar pela evolução/regressão de Barney Stinson (interpretado por Neil Patrick Harris) após as duas últimas temporadas mostrando o seu amadurecimento no relacionamento com a Robin (Cobie Smulders), exatamente no último episódio – e de uma hora para outra – o nerd popular bem sucedido e garanhão volta a estaca zero. Tudo bem, entendi quando ele se afirma na pergunta “Eu posso ser quem eu sou?”, mas após toda uma passagem linear de muitos anos, em que todos se mostram em vidas direcionadas, Barney parece ter voltado no tempo. O que podemos chamar de evolução em seu personagem é a de se perceber como pai, que aquilo – a filha – era tudo o que ele precisava para se encontrar e deixar de sair cantando todas as garotinhas. But, o desenrolar da paternidade de Barney Stinson não demonstra nenhum rito de passagem, nenhum sinal de mudança. Aqueles belos detalhes nas histórias fictícias que seguram a mão do espectador firme e o mantém forte, How I Met Your Mother não soube desenvolver. Vejamos então onde o final de HIMYM pecou?

grand finale de how i met your mother 03 - 2014 04 10Aliás, todo o desenrolar do personagem Barney Stinson – que teve todas as suas justificativas detalhadas e devidamente narradas por toda a série – também se perdeu no último episódio. A desenvoltura para a entrega em uma vida compromissada com alguém como a Robin para ele foi árdua demais para ser simplesmente resolvida em segundos. O desfecho de um romance que se mostrava perfeito, se mostrou nem tão perfeito assim quando Barney desabafa para Ted (Josh Radnor) que o casamento ia bem, Robin não parava em casa, mas ia bem. A problemática é: Em que momento Robin (Cobie Smulders) anuncia alguma mudança no trabalho? Esse fator teria sido importante, já que seria um futuro marco negativo no relacionamento deles. O Roteiro dessa história em si, foi fantástico pelo simples fato de todos – espectadores – saberem que Barney não era para Robin, assim como Ted era. Toda a dramaticidade para encontrar o colar que era tão importante para Robin, explicaria o fato de que Barney não entenderia quando Robin se ausentasse por conta de uma rotina do trabalho. Afinal o que eles tinham de bom? A química, somente.

grand finale de how i met your mother 04 - 2014 04 10E por falar em Robin Scherbatsky (Cobie Smulders) a sua evolução foi devidamente anunciada por ela quando vai a festa de despedida do apartamento em que Lily (Alyson Hannigan) e Marshall (Jason Segel) moravam e passa por um flashback ao ver Ted usando a mesma fantasia de sempre – só que dessa vez, acompanhado de seu tão esperado amor – e tem uma cena de ciúmes, decidindo ir embora da festa. Lily por sua vez ainda não tinha sacado os motivos da despedida de Robin naquele instante e se pronuncia, mas Robin deixa claro que vai embora por não aguentar ver a pessoa “com quem ela deveria ter ficado” com uma outra pessoa. O momento marca uma passagem, a ficha cai de Robin e ela percebe a besteira que fez durante toda a sua vida. E, durante a passagem de todo um tempo a canadense Robin, vive frustrada e ausente dos amigos, resolve viver sozinha novamente, como tudo começou com todos os cachorros suficientes para uma tentativa de substituir seu grupo de amigos favoritos.

Outra observação, foi na forma como Tracy McConnell (Cristin Milioti) veio sendo introduzida na série, ela,desde o início, foi o fator mistério da série, e no entanto, acabou sendo tratada como algo banal. Seu final trágico foi genial, porém seu destaque emotivo se perdeu na sequência com o diálogo de Ted Mosby com seus filhos – totalmente desnecessário. E como passamos – nós, espectadores – por toda uma série de arrodeios emotivos – levando em consideração a narrativa dramática do protagonista Ted Mosby – receber um final cujas cenas que deveriam ser emotivas, foram simplesmente jogadas todas juntas sem as devidas atenções – que durante toda a série tiveram – foi frustrante. Até a cena do guarda-chuva, sendo a cena ápice do episódio – que continha o único objeto (o guarda-chuva) que os ligava, e que carrega um significado de guardar, acalentar, proteger (o que era algo que ambos os personagens precisavam, cada um a sua forma, claro) – tenha me envolvido e composta com um belo diálogo, o seu destaque foi breve, sendo rapidamente substituído e bombardeado por mais um monte de outras informações.

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A questão da passagem tão longa do tempo, tendo intervalos longos, também foi uma problemática. Em uma série que tinha muitas resoluções para tratar em um único episódio, ter o tempo como fator para adicionar ainda mais detalhes, não ajudou em nada. Lily e Marshall, o casal mais bem resolvido da série, acabou se tornando um marco para toda toda essa passagem de tempo, com um terceiro filho – desnecessário – e uma vida perfeita. Poucos episódios antes de acabar a série, assisti novamente aos primeiros episódios (quase toda a primeira temporada) e deu para fazer uma grande comparação. Lily não evoluiu, Lily se modificou completamente, ela se tornou uma outra pessoa, inclusive o relacionamento perfeito que parecia tomar um rumo diferente do que tomou.

grand finale de how i met your mother 06 - 2014 04 10O grande lance de acompanhar uma série que se passa periodicamente nas telinhas por anos é perceber a evolução dos personagens, o amadurecimento da identidade de cada um. É isso que dá vida a obra. Ted Mosby o personagem mais romântico e sonhador da série, é quem demonstra gradativamente uma significante – as vezes, sutil – evolução. Quando ele sai, pela primeira vez com sua futura esposa Tracy, demonstra, na própria narrativa sinais de evolução, com as clichês “o que eu fazia antes e não faço mais agora”. O sentido de ter tido uma mulher que era exatamente como ele, para gerar seus filhos e viver ao seu lado durante um determinado tempo, mas que o amor da sua vida era e sempre foi Robin Scherbatsky me deixou feliz.

Apesar desse Grand finale ter tido todas essas críticas e muitas outras – nem todas que eu enxerguei consegui encaixar nesse texto – com toda essa velocidade acelerada demais – bem redundante mesmo – carregou um valor sentimental forte ao perceber que em um dos episódios anteriores, fora mencionado – embora bem sutilmente – a possível morte de Tracy, a finalização desse episódio com a frase “Qual a mãe não estaria presente no casamento de sua filha?” uma pergunta carregada de mistério levou muitos a se questionar sobre sua minha própria vida e entupindo a série How I Met Your Mother de grandes valores, acabou fazendo sentido pela união das peças desse quebra cabeça.

E, claro, se tratando de uma série que foi baseada nas histórias engraçadas de dois amigos (Carter Bays e Craig Thomas) que viviam em Nova Iorque, por si, já carregava os seus valores. Então, cabe a cada receptor, com as suas próprias histórias e subjetividades, encarar a sua forma e decidir por si só como foi o Grand Finale de How I Met Your Mother. E aproveitem o espaço de comentários para darem a sua opinião, hein?

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Sobre Helosa Araújo

Graduada em Publicidade e Propaganda e especialista em Moda e Comunicação pela Universidade de Fortaleza, eterna estudante e pesquisadora (tendo como principais temas a fotografia, sociedade, cultura e etnias) e dona do blog Tem Na Fotografia. Teve seu primeiro contato com a fotografia (propriamente dita) em 2005 e depois de trabalhar em vários setores da comunicação se entregou aos clicks em 2007 e hoje não sabe ver uma cena sem um determinado olhar crítico pensando em uma forma de enquadrá-la. Profissionalmente falando, Helosa vivia dividida entre várias categorias da fotografia, passeou como freelancer pela fotografia Social, de Moda, Publicitária, Newborn e Documental, hoje, repórter fotográfica do jornal Diário do Nordeste tenta cumprir o seu papel de comunicadora visual usando a fotografia como sua principal ferramenta.

  • thaina

    Muito interessante o que você escreveu. porém o finalzinho em si eu preferi a versão do final alternativo. Esse sim me deixou feliz e atendeu minhas expectativas rsrs

  • Ezequiel

    Eu achei o final ótimo, dava pra ser melhor, mas tudo bem

  • Tamara Resi

    Penso que problema não foi o último episódio da série, e sim toda a última temporada. Como você bem colocou em seu texto “uma série que tinha muitas resoluções para tratar em um único episódio”. Não precisava ser assim. Sério.

    Tivemos uma última temporada inútil, construída em volta de um casamento que se acaba em 2 minutos de cena com um motivo banal.

    Uma temporada inteira para falar de um casamento de 48 horas? Um único episódio para contar o “the end” de 6 personagens tão complexos? É uma fórmula fadada ao fracasso independente do roteiro.

    Particularmente, achei ~ridícula~ e não consigo pensar numa palavra mais apropriada a morte da Tracy.
    Me parece que decidiram o fim numa conversa pelo whatss (hahaha). Consigo imaginar o diálogo:

    – Que tal deixar o Ted e a Robbin juntos no final?
    – Ok e a Tracy?
    – Ah matamos
    – E o Barney?
    – Ah terminamos o casamento deles, fala que ela viaja muito.
    – Beleza
    – Fechou.

    2 min depois…

    – Hein, tava pensando, e se dermos um filho pro Barney?
    – Hum… maneiro.

    Eu aceitaria o Ted e a Robin juntos (embora nunca fui muito entusiasta desse romance) mas porra, construam a trama direito, trabalhe a última temporada para resolver o triangulo. Façam uma curva dramática coerente. Respeite seu público.

    Enfim. Faz mais de um ano que terminei a série e agora vendo Friends e as “semelhanças” vou ficando a cada dia mais triste com HIMYM.

    • Wesley Oliveira

      Concordo com tudo com você disse, principalmente a simulação do dialogo no Whatsapp (hahaha show!), mas a Tracy estar morta e o Ted terminar junto com Robin é totalmente coerente. Acho que não faria muito sentido o Ted estar contando para os filhos o “Como conheci sua mãe” e ela nunca aparecer e ser citada durante as passagens dele no futuro, se a mãe já não estivesse morta. E em todas as temporadas, o Ted sempre demostrava ter um amor platônico pela Robin – seria estranho contar algo assim para seus filhos -… tipo assim: “Vou contar como conhecia sua mãe, mas em toda minha história eu fui totalmente apaixonado pela sua tia Robin e no final não acabamos juntos, então sobrou só sua mãe para ser minha esposa mesmo :(”
      Mas claro que isso não justifica toda uma temporada arrastada e desastrosa como foi essa última.