Por que você joga videogames? 2


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igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_01.2014.03.06Hoje, uma dúvida existencial me assolou: “Por que diabos eu jogo videogames?”. Entenda, seria muito simples responder essa pergunta com um simples: “– Por que é divertido, ora bolas!” mas quem disse que a resposta simples é a mais interessante? Não, amigo nerd, não é. Aqui irei (tentar) desvendar o misterioso mundo da minha psique, e dele extrair a resposta para a pergunta mais fundamental a respeito do vício em jogos eletrônicos: “Por que você joga videogames?”. Vale lembrar que aqui não estarei na posição de cientista ou de “cagador de regra”. Cada pessoa é uma pessoa, e melhor do que eu descobrir os motivos que me fazem jogar videogames, seria descobrir os motivos pelos quais os nossos leitores jogam. Então usem e abusem do nosso espaço de comentários.

Por que você joga videogames?

Pensando na minha numerosa lista de jogos prediletos, tentei observar cada um separadamente e assim, reunir tópicos que funcionem como denominador comum entre todos esses jogos, a fim de entender melhor os componentes de jogo que nos fascinam e nos faz querer jogar mais e mais. Obviamente nem todos os itens podem ser aplicados para todos os jogos, até por uma questão de lógica mesmo, já que, por exemplo, não considerarei o enredo um fator crucial para um jogo do tipo quebra-cabeças (puzzle).

Desafio

igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_02.2014.03.06Sem dúvidas, o desafio é um atrativo fundamental de pelo menos 99% dos jogos (estatística claramente baseada no achismo), seja ele um desafio homem vs máquina como nos jogos single player tipo Super Mario World, Metal Gear Solid, etc, ou no desafio homem vs homem como nos jogos multiplayer (online ou não) tipo Street Fighter, Battlefield e muitos outros. Desnecessário dizer que vários jogos oferecem ambos os tipos de desafios, e ultimamente a indústria de jogos está fazendo questão de incluir modo multiplayer inclusive em jogos que aparentemente não teriam necessidade alguma de tê-lo.

Além disso, temos uma miríade de jogos com os mais diferentes graus de dificuldades, alguns com a já consagrada opção de escolher o nível de dificuldade que melhor se adeque com a sua necessidade. Aqui, o importante é fazer com que você se sinta desafiado a superar novos obstáculos, que se tornam cada vez mais desafiadores com o passar de etapas (se o design do jogo tiver sido feito utilizando boas práticas, obviamente).

Recompensa

igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_03.2014.03.06Existem milhões de formas de recompensar o jogador quando o mesmo supera um desafio e, no entanto, não existe nenhuma definição de qual forma é a melhor para se recompensar o jogador. Veja bem, se você está jogando incansavelmente Super Street Fighter IV: Arcade Edition no modo online, sendo dizimado por uma horda de coreanos ensandecidos e, de repente, quase que por um milagre do Deus Akuma, você consegue derrotar uma dessas criaturas soturnas e de olhos cerrados, o efeito instantâneo é um sorriso aberto de uma orelha à outra e um ar de superioridade que logo se esvai quando você erroneamente aceita um “Rematch”. Esse momento de euforia, meu amigo, é o que eu chamo de recompensa.

Mas essa mesma recompensa, como já dito acima, existe de várias formas. Estava você, como último integrante vivo do seu time em Counter Strike, e mesmo assim conseguiu levar dois inimigos para as profundezas dos sete infernos? Isso é recompensa. Conseguiu finalmente passar daquela maldita fase do Candy Crush Saga? Recompensa. Depois de mais de 5 horas enfrentando um mesmo Boss em World of Warcraft, junto a sua guilda dos Virgens Intocáveis, você finalmente conseguiu aquela tão sonhada pilhagem? Bem, por mais que meu bom senso diga o contrário, isso também é uma recompensa. Perceberam a importância da recompensa como motivador para a jogatina?

Escapismo

igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_04.2014.03.06Segundo o dicionário Priberam, escapismo é: “Atitude de fuga ao cotidiano ou a uma realidade específica.”. Já no Wikipédia, temos a seguinte definição: “Escapismo ou desejo de evasão é o alívio ou a distração mental de obrigações ou realidades desagradáveis recorrendo a devaneios e imaginações. Manifesta-se na busca da natureza, na fuga para o passado próximo (a infância) ou distante (a Idade Média), o sonho ou a fantasia e a morte.”. Ora, olhando para a definição do Wikipédia, você consegue facilmente observar o ato de jogar videogames como uma genuína atividade de escapismo.

A verdade é que em cada fase de nossas vidas, o escapismo funciona de formas diferentes. Por exemplo, se estamos em nossa tenra idade, buscamos muitas vezes jogar videogames para desopilar dos deveres de casa (ou de classe, já que a tecnologia mobile, como toda tecnologia, vem para o bem e para o mal), ou até mesmo em alguns casos de problemas familiares. Na adolescência, a fuga para o mundo dos jogos pode ter outras motivações (não descartando as já citadas, vale salientar), como por exemplo inaptidão social, ou mesmo integração social, já que os jogos online podem proporcionar isso. Quando na vida adulta, o escapismo pode vir como forma de alívio do estresse cotidiano, do pagamento de contas, dos trabalhos que não correspondem com os seus anseios, dos relacionamentos interpessoais caóticos, e mais um infindável número de possibilidades.

Obviamente que o escapismo não parte necessariamente de algo negativo, ele pode partir simplesmente da predisposição de você desejar assumir o controle de alguma realidade que, em suas condições normais (e sóbrias) seria impossível, como matar um Dragão ou pilotar uma nave interestelar com motor para dobra espacial. Seja lá qual for a sua motivação para jogar, provavelmente não será para administrar a vida de um homem a beira da falência, com um filho recém-nascido para criar e uma úlcera para tratar (apesar de que de alguma forma esse background poderia dar um jogo interessante. Quem pegar essa ideia não esquecer de me dar os devidos créditos, por gentileza. Hehehe).

Enredo

igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_05.2014.03.06Eis um fator um tanto controverso, já que além de muitos bons jogos não contarem com um enredo minimamente decente, ainda existem os casos particulares que costumo chamar de “efeito-menino-de-locadora”, onde tudo e qualquer coisa relacionada a história do jogo que puder ser “pulada” através de um pressionar de botão, será feito sem dó e nem piedade. O conhecimento de uma língua estrangeira (normalmente o inglês) já foi um fator impeditivo para alguns, hoje com a popularização da localização dos jogos em Português Brasileiro (ou pt-BR), esse obstáculo já se torna cada vez menos relevante, e no entanto o “efeito-menino-de-locadora” parece ter mais a ver com o jogador em si, do que com a falta de conhecimento de língua estrangeira.

Desconsiderando esses casos supracitados, um bom enredo pode sim, ser um grande motivador. Quem já jogou Xenogears, Chrono Cross e Vandal Hearts 2, sabe do que eu estou falando. Um jogo atual, com um bom enredo, pode ser considerado um bom filme interativo, onde você muitas vezes tem a possibilidade de traçar a sua própria história e ver o resultado de suas ações durante e no final da trama (Mass Effect, estou olhando para você). Existem os enredos convencionais, onde te levam a uma história linear com elementos extras aqui e ali, mas nunca lhe permitindo mudar o encerramento. Independente da possibilidade de ter múltiplos finais ou não, a existência de um enredo bem construído, pode ser o grande diferencial entre um jogo descartável ou uma obra-prima.

Sonoridade

igor_queiroz_por_que_você_joga_videogames_06.2014.03.06Por último, mas não menos importante, incluo como fator relevante a sonoridade de um jogo. Se imaginem nos meados da década de 90, onde todos os shoppings centers possuíam seus fliperamas cheios das saudosas máquinas de Arcade e pinballs. Estão escutando os sons frenéticos de centenas de botões sendo pressionados como se não houvesse amanhã? E os sonoros “K.O.” dos jogos de luta? Quando falo em sonoridade, não me resumo a apenas a trilha sonora, mas sim todos os componentes audíveis de um jogo. Super Mario World tem uma trilha sonora inesquecível, é verdade, mas o que dizer de seus efeitos sonoros? Vem geração, passa geração, e o efeito sonoro do Mario pegando a moeda permanece o mesmo (com seus devidos “upgrades”, é claro). Dragon Quest, uma das séries de JRPGs mais clássicas, mantém uma biblioteca de efeitos sonoros praticamente inalterada desde o seu surgimento.

Quanto a trilha sonora como evidência, quem não tem a de Sonic ou The Legend of Zelda gravada na alma até hoje? Esse que vos escreve passou a gostar ainda mais de orquestras e música clássica depois de jogar os Final Fantasies da geração 32-bit. Há outro fator relativo a sonoridade que também é digno de menção, e estou falando da ambientação. Resident Evil 2 nunca teria tido aquele clima sombrio e tenebroso se ao invés daquela música de ambientação de suspense, o mesmo tivesse um techno-brega composto pelo som dos solos de guitarra desconcertantes do Chimbinha e da voz de hiena no cio da Joelma embalando a jogatina. É óbvio que estou exagerando a níveis impraticáveis uma hipótese completamente distópica, mas que serve perfeitamente para mostrar onde quero chegar. Talvez ninguém vá atrás de jogar um jogo exclusivamente pela sua sonoridade, mas com certeza ela pode ser um atrativo complementar na hora de escolhê-lo.

Dito isso…

Encerro esse meu nada curto fazendo a vocês, nossos leitores, a pergunta que dá título a esse post: “Por que você joga videogames?”. Concordam com o que foi dito aqui? Acham que faltou ser dito algo? Interajam, esse espaço aqui dos comentários está sempre disponível para discussões saudáveis e produtivas.

  • Hugo Galvão Ribeiro Arraes

    Muito bom o texto ma.
    Ah, utilizadores do “efeito-menino-de-locadora” devem morrer, da pior e mais cruel forma possível.
    :-p

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