Nebraska – Análise


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nebraska 01 2014 03 27E aí Nerds, beleza? Que tal fazer algo diferente e assistir uma excelente surpresa nos cinemas?

Nota do Editor Chefe: Demorei bastante para postar essa análise do David de Nebraska no WN, e demorei o bastante para o filme já não estar mais em cartaz na maioria dos cinemas. Mea culpa, mea culpa. Prometo não cometer mais essa gafe.

Nebraska: Análise

O diretor e roteirista Alexander Payne é um especialista em transformar histórias simples em aventuras ao mesmo tempo intimistas e grandiosas, especialmente quando são contadas na forma de “road movies”, como ocorreu em Sideways e As Confissões de Schmidt. O mesmo ocorre em seu mais novo trabalho, Nebraska.

O filme conta a história de Woody Grant (Bruce Dern), um velhinho simpático, apesar de ser um bebedor inveterado, que acredita ter ganhado um prêmio milionário de uma revista. Para receber seu prêmio, ele tem que se dirigir ao escritório central da publicação, que fica no estado que dá nome à fita.  No entanto, nem seus filhos David (Will Forte) e Ross (Bob Odenkirk), nem sua esposa Kate (June Squibb) tem a mesma fé na premiação e tentam impedir que Woody faça essa viagem.  Depois de desistir de convencê-lo, David resolve levar o pai até a cidade de Lincoln. Devido a um incidente em um hotel, eles acabam tendo que passar o fim de semana em Hawthorne, a cidade de onde a família saiu quando os filhos ainda eram crianças.

E é aqui que o filme realmente começa a cativar o público e começamos a conhecer Woody e o filho. As seguidas visitas e encontros com velhos conhecidos trazem à tona antigas histórias, velhos amores, amigos e desafetos. A cada encontro, nos aprofundamos naquele personagem, e conhecemos cada faceta que construiu sua personalidade.

O roteiro de Bob Nelson, em perfeita consonância com a direção de Payne, é rico em sutilezas. Ele não faz uso de soluções simples, como diálogos expositivos ou dramalhões exagerados. Ao invés disso, ele constrói a relação pai e filho apenas com as reações de David a cada nova informação que descobre dos antigos amigos do pai. Também descobrimos quem está falando a verdade depois que Kate chega à Hawthorne e começa a dar sua opinião sobre cada um dos moradores da cidade. Incrível a capacidade que aquela senhora tem em criticar e xingar outras pessoas, porém sem jamais soar aborrecida.

nebraska 02 2014 03 27E o roteiro tão simples (diferente de simplório) e inteligente perderia muita de sua força não fosse pelo seu elenco. A sintonia entre os atores, fundamental para o bom funcionamento da história, é perfeita. Bob Odenkirk tem uma participação pequena, porém eficiente. June Squibb dá um show como Kate, a esposa impaciente e faladeira. A cena em que “conversa” com conhecidos no cemitério é uma das melhores do filme. Will Forte mostra segurança e competência em um papel tão complexo e importante. Entre os melhores momentos de seu trabalho estão os confrontos com o desagradável Ed Pegram (Stayc Keach, numa participação excelente) os momentos intimistas com seu pai.

E coroando o elenco, numa atuação magistral, surge Bruce Dern. Difícil encontrar palavras que expliquem o que esse ator realiza. Sua construção de personagem é irretocável, permeada de nuances. O olhar perdido de Woody, nos momentos em que a lucidez lhe escapa, se esvai rapidamente quando algo lhe chama a atenção, especialmente quando o assunto é o seu valioso prêmio. Além disso, ele torna cada atitude de seu personagem palpável, em especial quando explica ao filho o verdadeiro motivo de sua busca incessante pelo prêmio.

A escolha pelo preto e branco na fotografia garante um ar atemporal à obra, além de reforçar a simplicidade daquelas pessoas, tanto da família principal quanto da cidadezinha que visitam. Outro elemento importante que ressalta essa sensação é a trilha sonora, sem orquestras grandiosas ou seleções musicais. Apenas leves baladas instrumentais, no ritmo folk, nada espalhafatoso.

nebraska 03 2014 03 27E o que dizer de Alexander Payne? Além de segurar o ritmo de uma história que poderia facilmente se tornar maçante, o diretor ainda esnoba na composição de alguns quadros (na melhor acepção da palavra), especialmente naqueles envolvendo cercas e estradas, numa relação com a liberdade experimentada por Woody nessa intensa viagem.

Com isso o artista nos entrega um excelente trabalho, mostrando que muitas vezes a simplicidade, quando utilizada com esmero e dedicação, pode ganhar mais destaque do que superproduções cheias de inovações tecnológicas.

Nota: 10/10

Sugestões: Se você gostou desse filme, assista a As Confissões de Schmidt e Sideways.