Frozen – Uma Aventura Congelante


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Frozen – Uma Aventura Congelante

Desde a compra da Pixar pela Disney, em meados de 2006, a empresa de Mickey Mouse foi a maior beneficiada. Afinal, com essa negociação ela pôde trazer para seu lado um dos maiores gênios da animação, o folclórico John Lasseter. Desde então, essa parceria rendeu fiascos, como Aviões, mas também coisas boas, como Bolt e A Princesa e o Sapo (o que marcou a volta do estúdio às animações 2D) e outros ótimas, como Enrolados e Detona Ralph. Agora, a nova aposta é Frozen – Uma aventura Congelante , dos diretores Chris Buck e Jennifer Lee (também a roteirista), com base na história de Hans Christan Andersen.

O filme conta a história das princesas Elsa e Anna, que sempre gostaram de brincar juntas, desde pequenas. Elsa, a irmã mais velha, nasceu com o poder de criar e controlar gelo em todas as suas formas. Apesar de seu dom ser mais uma ferramenta nas brincadeiras, Elsa, e o castelo, são isolados do resto do reino de Arendelle. Depois de um desentendimento com Anna durante a sua cerimônia de coroação, Elsa foge do castelo e sua frustração mergulha todo o reino em uma profunda e constante nevasca. Depois da fuga de Elsa, Anna pede para Hans tomar conta do reino enquanto ela parte em busca da irmã. No meio de sua aventura, ela conhece Christoph, um comerciante de gelo que tem como grande amigo Sven, sua rena de estimação, e sua família formada por trolls mágicos de pedra.

david_arrais_frozen_uma_aventura_congelante_02.2014.01.31Apesar de bastante cativante, o roteiro tem alguns problemas. O maior deles é a demora em apresentar o vilão da história, tão desnecessário quanto desinteressante. Além disso, a paixão de Anna e Hans, igualmente desnecessária, jamais parece crível, mesmo se tratando de um conto de fadas. E mesmo a reclusão de Elsa parece mal explicada, afinal de contas ela é a filha do Rei, principal sucessora ao trono. Porque seria necessária uma reclusão tão intensa? Em contraponto, os personagens principais são carismáticos e bem desenvolvidos, com arcos dramáticos bem definidos.

Outro ponto positivo relevante do roteiro é a fartura de grandes diálogos, que tem grandes chances de entrarem para o vasto rol de grandes momentos dos clássicos Disney. Além dos diálogos, as letras das canções fazem jus às belas composições de Christoph Beck. No entanto, o maior acerto é manter a proposta dos últimos anos de desfazer a imagem de mulheres frágeis e dependentes. É curioso perceber que, ainda que tenha importância para a trama, Christoph não surge como o Homem que vai resolver tudo ou o interesse romântico bobo. Ele é “apenas” o companheiro de Anna, um parceiro em sua empreitada.

Anna, apesar de um pouco desastrada, é corajosa e só pede ajuda para resolver problemas que realmente estariam fora de qualquer pessoa. E ao mesmo tempo, não é alguém que abandona a família por conta de um amor complicado.

david_arrais_frozen_uma_aventura_congelante_03.2014.01.31Elsa, é o grande destaque (humano) do longa. Ela é uma mulher de personalidade forte e decidida, capaz de, em determinado momento, tomar as rédeas da própria vida, como na letra da canção (indicada ao Oscar) “Let me Go”. Falando nisso, as canções* ao longo da história são encantadoras. Além da canção principal, aquelas interpretadas por Anna são igualmente tocantes, especialmente “Do you wanna build a snowman?” (que foi traduzida como “Você quer brincar na neve?”). Também merece destaque a singela “no Verão”, interpretada por Olaf.

E, para manter a tradição de coadjuvantes encantadores, surgem a rena Sven, que tem seus “pensamentos” expressos por Christoph, que crê saber exatamente o que o amigo pensa; e um dos mais cativantes personagens Disney dos últimos tempos, Olaf, o boneco de neve que “gosta do verão e abraços quentinhos”. É incrível como o pequeno é capaz de conquistar o espectador com as primeiras palavras que profere com sua voz mansa e simpática.

Outro elemento que chama a atenção é a autorreferência à outros clássicos Disney. A perseguição dos lobos, assim como a invasão ao castelo, lembram aquelas vistas em A Bela e a Fera, bem como as próprias feições dos personagens lembram à dos personagens de Enrolados (na própria cena da coroação Rapunzel e Flynn aparecem de relance).

david_arrais_frozen_uma_aventura_congelante_04.2014.01.31Se há tropeços na elaboração do roteiro, nos aspectos visuais o filme é rico na construção dos detalhes, que vão das molduras dos quadros do castelo à pequenos elementos de textura das roupas das pessoas e dos pelos dos animais, passando por toda a geografia do reino em belas tomadas. Porém, o maior destaque é para os poderes de Elsa e todo o gelo à sua volta. A sequência de construção do seu castelo de gelo só é superada pelo resultado final, com todos os efeitos de brilho, refrações e reflexões da luz com notável realismo.

Apesar de problemático em alguns momentos, Frozen – Uma Aventura Congelante consegue se destacar entre várias animações pela coragem de fugir do lugar comum da maioria das animações (inclusive de algumas da própria Disney) e são uma demonstração eu o estúdio está no caminho certo para voltar a reinar como principal produtora de animações de Hollywood.

Nota 7.0/10

Sugestões: Se você gostou, assista à A Bela e a Fera, Enrolados e A Bela Adormecida.

* Dessa vez, o trabalho de dublagem foi bem executado, exceto pelas canções, por dois motivos. O primeiro pela dificuldade das intérpretes em alcançar o tom agudo das músicas. O segundo, e mais grave, pela tradução dos títulos. O sentido foi alterado na canção principal “Let it Go” (Deixar ir, numa tradução livre) para “Livre Estou” e de forma ainda mais grave em ‘Do You Wanna Build A Snowman” (Você quer construir um boneco de neve?). No segundo exemplo, apesar de se manter o sentido, diminui a força da letra da música em relação à narrativa.