O estranho caso da empresa de jogos King e sua ganância 2


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igor_queiroz_the_banner_saga_marca.2014.01.23Começamos o ano com a notícia mais esdrúxula da indústria de jogos dos últimos tempos, e a empresa que protagonizou essa galhofagem foi a empresa de jogos King, que vocês devem conhecer bastante pelo jogo de quebra-cabeça demoníaco viciante, Candy Crush Saga. Como toda boa atitude de m$#@a, é óbvio que a empresa não cometeu apenas uma grande bobagem, mas sim uma sequência de ações que por sorte farão as ações dela sentirem o malevolente peso da gravidade de Júpiter. Mas como toda e qualquer explicação precisa de um começo, que expliquemos então.

A empresa de Jogos King e uma patente da palavra “Candy”

Tudo começou quando a King (King.com Limited) resolveu que deveria patentear a palavra “Candy” nos Estados Unidos (especifico por que vale lembrar que no Reino Unido ela já é detentora da marca registrada “Candy”). Claro que em sua própria concepção de atitude defensiva, a empresa diz ter tomado essa medida na intenção de impedir que outras empresas se utilizem do termo para se promover em cima do sucesso de seu jogo free-to-play Candy Crush Saga, e de fato, se você fizer uma pesquisa no Google Play por Candy Crush Saga, verá que existem alguns tantos jogos “similares” ao jogo da King. Mas será que ser detentora da marca “Candy“, deixará a empresa de jogos King tratar legalmente apenas desses casos em que o nome Candy é empregado de forma oportunista e anti ética? Bem, a tomar pela notícia que vem na sequência, sabemos bem o quão “bem intencionada” essa aquisição da marca Candy foi.

Além da palavra “Candy”, a empresa de jogos King também gostaria da palavra “Saga” como sua propriedade

Ora vejam só, nada mais justo do que patentear palavras pertencentes ao seu jogo de sucesso, a fim de proteger a sua marca. Certo? Not so much, my friend. A King tentou, em 2011, registrar a marca Saga como sua, baseada no mesmo princípio da palavra Candy. O processo de patente tramitou, e… bem.. não deu em nada. Significando assim que ela não é possuidora da marca, o que em teoria significa que ela não pode sair por aí cagando regra com quem ou o que utiliza o termo Saga em sua criação. Correto? Bem, correto até é, mas isso não impediu a brilhante empresa de ter uma ideia igualmente brilhante de enviar um “recadinho” para a pequena empresa independente Stoic Studio, e sugerir que o seu jogo recém lançado, The Banner Saga, pudesse prejudicar a imagem de sua franquia. Talvez você não conheça The Banner Saga (ao menos eu nunca falei dele por aqui), mas além do vídeo que está logo no final desse post, saiba que Candy Crush Saga e The Banner Saga são tão parecidos quanto uma bicicleta se assemelha a um Boeing 747, sendo o primeiro um jogo casual, onde sua missão é destruir doces e acumular pontos o suficiente para passar de fase (eu sei, estou resumindo intencionalmente a mecânica do jogo, não precisa me corrigir, ok?) e o segundo sendo um jogo tático, semelhante aos aclamados Final Fantasy Tactics, Tactics Ogre ou mesmo Vandal Hearts 2 (que recordamos em uma Sessão Old School, há muito esquecida aqui no Who’s Nerd?). A cartinha marota que a King enviou pode ser vista abaixo na íntegra (must know English, ok?), e é válido dizer que ela foi enviada quando a Stoic Studio tentou registrar a marca que dá o nome ao seu jogo, ou seja, The Banner Saga:

igor_queiroz_carta_da_king_para_stoic_studio_00.2014.01.23igor_queiroz_carta_da_king_para_stoic_studio_01.2014.01.23igor_queiroz_carta_da_king_para_stoic_studio.2014.01.23

E o que a Stoic Studio acha de tudo isso? Você se pergunta.

Em um artigo do site Games Beat, é possível ver a resposta de Alex Thomas, cofundador da Stoic Studio, para a empresa inglesa King. Como o texto é totalmente em inglês, transcrevo aqui a tradução livre para os menos familiarizados com a língua do tio Sam.

“Dois anos atrás, nós três da Stoic nos preparamos para fazer um jogo épico de Vikings: The Banner Saga. Nós fizemos, e as pessoas adoraram, então nós estamos fazendo outro. Nós não vamos fazer uma Saga Viking sem a palavra Saga, e nós não gostamos de ninguém nos falando que não podemos. King.com afirma que eles não tem intenção de nos privar de usar o nome The Banner Saga, e mesmo assim a oposição legal deles para a nossa solicitação de marca registrada permanece. Estamos lisonjeados pelas manifestação de apoio e honrados em ter outros ao nosso lado pelo direito de ter sua própria Saga. Nós queremos apenas fazer grandes jogos.”

E o veredicto é…

Bem, até aqui falamos apenas do ponto de vista de quem entende de jogos eletrônicos, de quem gosta de jogos eletrônicos, e de quem sabe diferenciar jogos dentre as suas diversas categorias. Como estamos falando de uma área que a maioria de nós não dominamos, é óbvio que tomamos esses parâmetros de caráter estritamente técnicos como nosso guia para julgar a atitude da empresa King como inescrupulosa. Porém, entretanto, contudo e todavia, no âmbito legal, essa atitude pode se passar muito bem por legítima, o que pode ou não desagradar a nós, reles mortais incautos. No site Gamasutra, a advogada Mona Ibrahim escreveu um artigo que de certa forma explica exatamente o que eu acabei de falar, onde nos mostra que no final das contas, vendo pelo lado legal da coisa, não há vilões e nem mocinhos nessa história, apenas duas empresas lutando para salvaguardar as suas marcas. Então, dito tudo isso, deixo com vocês a tarefa de julgarem todo esse caso (utilizem o espaço de comentários para criar uma discussão saudável, crianças). Enquanto isso, esse que vos escreve agradece uma das poucas coisas da legislação brasileira que não nos faz vergonha.

  • raduq

    Ia até comentar, mas a empresa King pode ter registrado alguma palavra do meu comentário… Deixa quieto.